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Sem passe de ônibus, idosos deixam de frequentar Centros de Convivência

Passe está liberado das 9h às 16h, mas atividades começam às 7h30 nos CCI

Por Isabelly Melo
03/08/2021 • 15h31
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Foram retomadas na segunda-feira (02) as atividades presenciais do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV) em 27 Unidades de Centros de Referência em Assistência Social (CRAS), Centros de Convivência e Centros de Convivência do Idoso.

O funcionamento de cada centro segue regras de biossegurança pré-estabelecidas, com distanciamento social e uso individual de materiais, justamente por isso as atividades coletivas seguem suspensas. Além do uso obrigatório de máscara, aferição de temperatura na entrada e disponibilização de álcool em diversos pontos.

Regras de biossegurança são seguidas rigidamente no retorno prensencial

Nesse primeiro momento de retomada as atividades seguirão no modelo híbrido, contando ainda com ações remotas, implementadas no início do ano passado. Todas as salas terão de atender até 30% da capacidade total, com higienização dos ambientes, mesas e cadeiras a cada troca de turma.

No Centro de Convivência do Idoso “Vovó Ziza”, somente na segunda-feira 64 idosos se inscreveram em atividades, número positivo para a coordenadora do Vovó Ziza, Lúcia Alencar. Ante da pandemia o Centro atendia cerca de 1.200 alunos, sendo 800 por dia, agora, seguindo a capacidade de 30% do total, terá número menor de oficinas e diminuição do número dos alunos de cada turma.

Segundo a coordenadora, apesar da procura positiva, alguns idosos não conseguem voltar as atividades presenciais devido a falta do passe de ônibus, visto que a prefeitura de Campo Grande liberou o benefício a partir das 9h, mas as atividades começam às 7h30 no Vovó Ziza. Lúcia informou que 90% dos idosos atendidos no Vovó Ziza dependem do transporte coletivo.  

“Tem muita gente que depende de ônibus e esse passe está (liberado) das 9h às 16h da tarde. O secretário (da SAS) já entrou em contato com o prefeito para ver essa liberação”, informou Lúcia. Se não for liberado, o Centro já estuda mudar o horário das atividades ofertadas para atender a maior parte dos idosos interessados.

O recadastramento e cadastro de novos alunos pode ser feito até o dia 6 de agosto, de forma presencial. Para tanto, é necessário apresentar documentos pessoais, comprovante de vacinação contra a covid-19 e assinar um termo de responsabilidade.

Galeria de troféus mostra desempenho mais que positivo dos alunos do Vovó Ziza. Enquanto o espaço, agora com distanciamento social, já foi palco de bailes e mesas com idosos jogando truco e outros. Fotos: Isabelly Melo

Conforme Lúcia, durante as atividades remotas muitos idosos ligavam para o Centro para conversar com professores e funcionários, uma forma de aliviar a distância e até mesmo a solidão no período de pandemia. “A gente recebia muita ligação, e ligava também para saber como eles estavam, e o que eles mais queriam era retornar. Até hoje a gente recebe ligação, porque nem todo mundo vai voltar agora”, contou.

A retomada das atividades tem como base um plano elaborado por profissionais da rede de proteção social básica, com participação de coordenadores e técnicos que atuam nas unidades, afim de respeitar a realidade de cada local.

Atividades ao ar livre, desde que sem dividir objetos, estão liberadas

Para o aposentado de 78 anos, Paracelso Lourenço, a mudança mais complicada durante as atividades remotas, devido a pandemia, foi a distância entre os colegas, atrapalhando a costumeira conversa e risadas entre os amigos feitos no Vovó Ziza. “A não, ficou muito ruim, né. Não é a mesma coisa. A gente sempre costumava de unir, conversar, mas agora não pode mais, tem que ficar distante, porque essa doença compromete muito a saúde”, disse.

Sem as atividades coletivas, a amante do vôlei e aluna do Vovó Ziza, Tânia Ferreira, de 63 anos, optou em fazer aulas de alongamento, não só por indicação médica, mas para “ser feliz”. Sem o contato presencial, Tânia chegou a apresentar quadros de tristeza durante o período em casa.

“Eu já estava ficando muito triste lá em casa, até o médico falou que era para eu voltar as minhas atividades. Ver se está tudo certo, e nossa, está até demais, porque não pode abraçar ninguém, tem que ficar a 1,5m, usar máscara. Mas está bom, é assim mesmo, aqui está do jeito que deve ser”, contou animada, na esperança de em breve poder abraçar os amigos.

Além da suspensão de atividades coletivas, ou que envolvam a divisão do mesmo material, aglomerações e contato físico, como abraços e beijos, foram trocados por novas formas de cumprimento, sem deixar de lado a afetividade tão presente antes da pandemia.

Dessa forma, nos CRAS os técnicos adotaram quatro tipos de cumprimentos lúdicos; ao chegar na unidade a criança escolhe entre um toque de pés, cotovelos, aceno à distância ou a junção das mãos como no ato de orar, executa um deles com o educador social e espera o início das atividades.

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