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Criação de jacarés busca espaço na cadeia produtiva do agro no Estado

Frigorífico inaugurado ano passado é o primeiro de Mato Grosso do Sul, com abate de 120 animais dia tem potencial para 500

Por Éder Campos
08/09/2018 • 07h15
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Com enorme potencial para criação de jacarés em cativeiro (jacaré-cultura), Mato Grosso do Sul recebeu em 2016 o primeiro frigorífico para abate e processamento de carne de jacaré. 

Com investimento de R$ 22 milhões, o Frigorífico Caimasul, que fica em Corumbá, 425 km da capital, teve projeto inicial através de pesquisas mercadológicas e produtivas 10 anos antes. 

Para a execução do projeto, ações de manejo sustentável foram adotadas com a inclusão social dos ribeirinhos. “Todo o projeto e sustentável e socialmente correto. Conservamos a natureza e damos oportunidade de geração de trabalho e renda aos ribeirinhos”, relata Willer Girardi, diretor do frigorífico.

Os ovos dos animais são coletados na natureza pelos ribeirinhos e, com autorização do Ibama e Imasul, levados para a granja onde ocorre o nascimento e a criação até os dois anos de idade quando são abatidos ao atingirem o peso ideal.

O aproveitamento da carcaça atinge apenas quatro quilos e produz cortes (linguiça, hambúrguer que variam de preço no mercado de R$ 40,00 a R$ 100,00.

Operando com apenas 20% da capacidade produtiva, a indústria abate 120 animais por dia para atender a demanda de carne, couro e souvenires. Segundo Girardi, que é zootecnista, a empresa trabalha para alcançar os 500 animais/dia afim de atender mercados consumidores no Brasil e no exterior. Enquanto a carne é direcionada para o mercado interno, o couro vai para México, EUA e China.

O diretor afirma que o Brasil é o país onde mais existem jacarés no mundo e é o que menos explora o potencial comercial. “Buscávamos um novo ramo do agronegócio. Vimos enorme potencial de explorar os recursos naturais através do jacaré e estamos desenvolvendo esse mercado”, diz.

A carne de jacaré assemelha-se à de peixe no sabor, mas com textura da de frango. Considerada magra pelo baixo teor de gordura (0,5%), é rica em proteína (24%). 

Recentemente, a carne de jacaré ganhou notoriedade quando colunista gastronômico da Rádio CBN, Paulo Machado, conquistou o primeiro lugar em concurso realizado pelo programa “Fantástico”, da TV Globo, com uma receita de estrogonofe de jacaré. “O jacaré é um pouquinho do que a gente tem dos sabores de Mato Grosso do Sul, da nossa terra, das nossas origens. O troféu é nosso”, ressalta Paulo.

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