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Escândalos da JBS podem enterrar de vez ampliação da Eldorado

Outros investimentos do grupo em Mato Grosso do Sul podem ficar comprometidos

Por Ana Cristina Santos
20/05/2017 • 10h51
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Os escândalos envolvendo o grupo JBS, que possui um conglomerado de investimentos, entre eles a Eldorado Brasil, em Três Lagoas, pode enterrar de vez o projeto de expansão da fábrica de celulose, que já teve o início da operação da segunda unidade adiado para 2020. Além disso, pode comprometer outros investimentos do grupo, que possui unidades frigoríficas no Estado.

Apesar da empresa alegar que mantém o projeto de ampliação e da fábrica atual estar dando resultados positivos, até agora a companhia não conseguiu os recursos necessários para a construção da segunda linha de celulose, que estava prevista para entrar em operação em 2018, depois em 2019, agora, 2020.

O novo escândalo envolvendo os empresários Joesley Batista e Wesley Batista, donos do grupo JBS, que fizeram delações premiadas, pode dificultar ainda mais a Eldorado obter linhas de créditos para financiar a construção da segunda linha. A Eldorado é alvo de quatro investigações da Polícia Federal: Sépsis, Greenfield e Cui Bono- as três investigam possíveis fraudes em fundos de pensão de estatais- e também da Lama Asfáltica, essa desencadeada na semana passada em Mato Grosso do Sul. A sede da empresa em Três Lagoas, inclusive, foi alvo de busca e apreensão de documentos. 

Segundo a Polícia Federal, a Eldorado Brasil e JBS, foram acusadas de pagar durante um ano propinas no valor aproximado de R$ 10 milhões em troca de incentivos fiscais concedidos pela antiga gestão estadual.

DIFICULDADES
No início do ano, Joesley Batista declarou que as investigações atrapalham na captação de recursos. “Para uma empresa de celulose, eu preciso de duas coisas: madeira e capital. Madeira, a gente planta ou compra. Capital, a gente precisa estar com a reputação em ordem, né? Essas as denúncias obviamente mexem no mercado. A Eldorado tem bastante caixa, mas esse projeto da nova fábrica é um investimento de R$ 10 bilhões”, declarou o empresário.

A Eldorado, inclusive, adiou a apresentação do balanço trimestral, encerrado no dia 31 de março, porque aguarda a conclusão da auditoria independente. Em nota, a empresa disse que o trabalho está avançado e deve ser divulgado em breve. Entretanto, antecipou que o volume de produção foi de 433 mil toneladas de celulose nos primeiros três meses do ano, resultado 1% superior que no mesmo período de 2016.


A empresa também vendeu 434 mil toneladas no período, crescimento de 23% em relação ao mesmo trimestre no ano passado. Adicionalmente, a companhia informa que vendeu 57 mil MW de energia no mercado livre. O custo-caixa de produção de celulose de R$ 533 por tonelada é o menor do setor.

DELAÇÃO
Nesta quinta-feira (18), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, homologou a delação premiada dos irmãos Joesley Batista e Wesley Batista. Os empresários firmaram o acordo com o Ministério Público Federal (MPF) no âmbito da Operação Lava Jato. Fachin é o relator da operação no STF.  Nesta sexta-feira,  o teor da delação dos donos da JBS foi divulgado e envolve políticos de vários partidos e empresários.

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