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Contraste marca o Natal de famílias afetadas pelo vendaval

A Prefeitura está reconstruindo casas de 10 famílias atingidas pelo vendaval, mas as de Cláudio e Ana não entraram na primeira lista

A vizinha que mora no barraco ao lado informou que só houve uma ceia de sexta para sábado devido a ajuda de anônimos -
A vizinha que mora no barraco ao lado informou que só houve uma ceia de sexta para sábado devido a ajuda de anônimos -

O Natal de duas famílias afetadas pelo vendaval do dia 27 de setembro em Três Lagoas foi marcado pelo contraste. Enquanto uma pode reconstruir e readquirir quase tudo o que perdeu, a outra segue vivendo em condições precárias e reclama de falta de ajuda. Em comum apenas o fato de não terem recebido ajuda do Poder Público.

A professora Maria Luceli da Silva, moradora do bairro Santa Terezinha, conseguiu reunir a família depois de dois meses de trabalho intenso, comandado pelos irmãos. A casa em que ela mora teve dois caminhões de entulho retirado depois do vendaval. “Todo o madeiramento e o telhado foi trocado, o jogo de jantar também. A TV ainda não funciona direito, mas é a mesma daquela época”, contou a professora. “Passar o Natal em casa com a família, não tem coisa melhor. Estamos mais unidos do que nunca. É um recomeço, mas mais feliz ainda”, salientou.

SITUAÇÃO PRECÁRIA
Em outro ponto da cidade, na rua projetada G, bairro Jardim Flamboyan, onde moram em um barraco de lonas e madeira o chapa Cláudio Rodrigues Porto, a esposa e três crianças, as condições de vida seguem precárias. A casa que estava sendo construída nos fundos do barraco e foi destruída por uma árvore durante a tempestade ocorrida no final de setembro, segue da mesma maneira.

Porto não estava no local no momento em que a reportagem chegou porque estava trabalhando. A vizinha que mora no barraco ao lado informou que só houve uma ceia de sexta para sábado devido a ajuda de anônimos. “Foi um Natal razoável. Não fizemos nada grande, mas teve ceia. Mas só porque pessoas passaram de carro e nos doaram comida, cesta de Natal e brinquedos para as crianças. Se não fossem elas não teria nada com certeza”, disse a dona de casa Andréia Dias da Silva, 23 anos.

PRECONCEITO E VERGONHA
“Não é porque moramos em um barraco de lona é que as pessoas têm que se afastar. Acho que eles têm vergonha de vir aqui. Tenho duas crianças pequenas que precisam de um mínimo de conforto”. Assim a dona de casa respondeu ao ser questionada sobre qual seria o motivo pelo qual uma ajuda maior do Poder Público não chegava até o local.

A Prefeitura está reconstruindo casas de 10 famílias atingidas pelo vendaval, mas as de Cláudio e Ana não entraram na primeira lista. De acordo com a presidente do Conselho de Habitação, Vera Renó, as prioridades foram para os idosos, grávidas e famílias com maior número de criança que estavam desabrigadas após a perda da casa, sem lugar para ficar.