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“A analgesia humaniza o parto”, diz anestesiologista sobre avanço do parto normal

Técnica reduz dor, amplia conforto e permite que mulheres vivam o parto com mais consciência e participação

Agne Chiquin Bochi Brittes nos estúdios da Massa FM. Foto: Ana Lorena Franco/Massa FM
Agne Chiquin Bochi Brittes nos estúdios da Massa FM. Foto: Ana Lorena Franco/Massa FM

O uso da analgesia durante o parto normal tem crescido em Mato Grosso do Sul e reflete uma mudança no modo como as mulheres encaram o nascimento, ao buscar menos dor, mais consciência e maior protagonismo durante o trabalho de parto, segundo avaliação da anestesiologista Agne Chiquin Bochi Brittes, em entrevista à Massa FM.

Por muito tempo, o parto normal esteve associado à dor intensa como algo inevitável, o que afastou muitas mulheres dessa escolha. Com a evolução da anestesia, esse cenário passou a mudar, impulsionado por técnicas mais seguras, medicamentos modernos e maior monitorização da paciente.

“A analgesia de parto ainda é uma anestesia em constante evolução. A gente não faz mais o que fazia há um ano atrás. Isso traz mais segurança e um resultado cada vez melhor para a paciente”, afirmou a anestesiologista.

Segundo ela, ainda persiste o mito de que a analgesia atrapalha o parto normal, ideia que não se sustenta diante dos avanços atuais da medicina. “Hoje a gente consegue ajudar muito no processo. Quando a mulher está no ápice da dor, ela libera muitos hormônios. Quando a gente diminui essa dor, traz conforto para a mãe e até o bebê se beneficia”, explicou.

Analgesia e parto humanizado

De acordo com Agne, a analgesia contribui diretamente para o conceito de parto humanizado, ao permitir que a mulher viva o momento com mais tranquilidade e consciência e destacou que, diferente do que muitos imaginam, a analgesia não impede a mobilidade da gestante. “A paciente consegue continuar andando, fazendo exercícios. A gente consegue associar conforto com mobilidade, que são pilares importantes da analgesia de parto”, afirmou.

Experiência pessoal reforça benefícios

A anestesiologista compartilhou a própria experiência como forma de exemplificar os benefícios da técnica. “Eu tive dois partos normais com analgesia. Vivi todo o processo, tive horas de dor antes. A analgesia entra quando a dor passa a ser algo limitante”, relatou.

Segundo ela, muitas mulheres que antes acabariam evoluindo para uma cesariana conseguem manter o parto normal com o auxílio da analgesia, o que também dialoga com as diretrizes do Ministério da Saúde para ampliar o número de partos vaginais no país.

Informação reduz medo e insegurança

Para Agne, levar informação às gestantes é fundamental para reduzir o medo, especialmente entre mães de primeira viagem. “Falar que a mulher não participa do parto com analgesia é coisa de quem não vivenciou. A analgesia não tira a experiência, ela dá condições para a mulher viver melhor esse momento”, afirmou.

A anestesiologista reforça que a decisão deve sempre respeitar a vontade da gestante, com acompanhamento médico adequado, e que a evolução da medicina tem permitido unir segurança, conforto e protagonismo feminino no parto normal.

Confira e entrevista completa: