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ENTREVISTA

Ataque de cão reacende alerta sobre posse responsável

Veterinária explica por que cães atacam sem provocação, como identificar sinais de agressividade e o que fazer para evitar tragédias

Gizelly Bandeira
Gizelly Bandeira no estúdio da Rádio Massa Foto: Ana Lorena Franco/ Massa CG

Um ataque envolvendo um cão de grande porte deixou uma mulher grávida ferida em Campo Grande e reacendeu o debate sobre a responsabilidade dos tutores e os riscos de animais mantidos soltos. O caso, registrado nesta semana, voltou a chamar atenção para a importância da contenção adequada, da prevenção e do entendimento do comportamento animal.

Segundo a médica veterinária Gizelly Bandeira, situações como essa não estão ligadas, necessariamente, à agressividade gratuita do animal, mas ao instinto de proteção territorial.

“Mesmo sendo doméstico, o cão mantém o comportamento de guarda. Quando ele está solto no quintal ou na rua, entende aquele espaço como território dele e pode reagir ao se sentir ameaçado”, explica.

A veterinária destaca que a legislação prevê a chamada posse responsável, que inclui manter o animal contido, seja por muros, cercas ou guias durante passeios. “É uma responsabilidade civil. Quem adota ou compra um animal precisa garantir que ele não ofereça risco a terceiros e também que esteja protegido de situações como atropelamentos”, afirma.

De acordo com Gizelly, muitos ataques ocorrem sem que a vítima provoque o animal. “Um movimento brusco, um susto ou até a simples passagem de uma pessoa pode ser interpretada como ameaça. Por isso, o uso de guia é obrigatório em espaços públicos”, diz.

Ela alerta ainda que os cães costumam apresentar sinais antes de atacar, embora nem sempre sejam percebidos. “Mudança na expressão corporal, orelhas para trás, postura rígida e posição de ataque são indícios claros. Algumas raças não latem antes de avançar, apenas atacam”, pontua.

Como agir em situações de risco?

Em situações de risco, a orientação é evitar correr ou fazer movimentos bruscos. “Correr transforma a pessoa em presa. O ideal é tentar se afastar lentamente, mudar de calçada, buscar abrigo em locais elevados, como subir em um carro ou muro, se possível”, orienta.

No caso de ataque, a recomendação é procurar atendimento médico imediato. “As mordidas precisam ser higienizadas e avaliadas. A boca do animal é contaminada e existe o risco de raiva, uma zoonose grave e potencialmente fatal”, ressalta.

A importância da conscientização e prevenção

Para a veterinária, o episódio reforça a necessidade de conscientização da população. “A prevenção começa dentro de casa. Cuidar bem do animal, mantê-lo contido e entender seu comportamento é proteger não só a sociedade, mas o próprio cão”, conclui.

Acompanhe a entrevista completa: