
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, afirmou que o fim da escala de trabalho 6×1 é uma prioridade do governo federal e que a proposta está em fase de diálogo avançado no Congresso Nacional. A declaração foi feita durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, ao responder perguntas da Rádio Massa Campo Grande.
Ao comentar a realidade de Mato Grosso do Sul, onde o mercado de trabalho tem sido impulsionado pela chegada de novas indústrias, o ministro falou do tempo dedicado a preparação. De acordo com Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), quase metade (42,8%) dos jovens no estado com idade entre 15 e 29 anos trabalha, mas não estuda. Para Boulos, esse recorte reafirma que jornadas longas dificultam a permanência na escola e ampliam a precarização do emprego.
Discussão sobre a escala 6×1
A proposta defendida pelo governo prevê o limite máximo de cinco dias de trabalho por dois de descanso, com carga semanal de até 40 horas, sem redução salarial. Segundo o ministro, o tema já está sendo tratado com lideranças da Câmara dos Deputados e pode ser votado ainda neste semestre. “É uma discussão que precisa passar pelo Congresso, com diálogo amplo e responsabilidade”, afirmou.
Questionado sobre os impactos para micro e pequenas empresas, Boulos disse que o governo federal reconhece as dificuldades enfrentadas por esses setores e que o debate legislativo deve incluir regras de transição. A ideia, segundo ele, é evitar impactos bruscos sobre negócios de menor porte, que concentram grande parte dos empregos no país. “O Congresso é o espaço para construir essas adaptações”, afirmou.
Durante a entrevista, Boulos também abordou os efeitos da mudança na jornada e da regulação do trabalho para motoristas e entregadores de aplicativos. Ele defendeu a criação de regras que garantam remuneração mínima, contribuição previdenciária e proteção em caso de acidentes. “Hoje, todo o risco está nas costas do trabalhador, enquanto as plataformas ficam com grande parte do valor das corridas e entregas”, afirmou.
O ministro também rebateu críticas de que o fim da escala 6×1 poderia aumentar a informalidade ou pressionar a Previdência. Para ele, ocorre o contrário. “Quando o emprego formal é excessivamente desgastante, o trabalhador busca alternativas precárias. Jornadas mais humanas fortalecem a formalização e a contribuição previdenciária”, disse.
Futuro político de Boulos e a agenda do governo
Durante a entrevista, Boulos falou ainda sobre seu futuro político em um ano eleitoral. Ele afirmou que não pretende disputar cargos e que seguirá no governo federal até o final do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Meu compromisso é tocar essa agenda e dialogar com o Congresso para que ela avance”, declarou.
Segundo o ministro, a discussão sobre a escala 6×1 vai além de uma pauta trabalhista e faz parte de um debate mais amplo sobre desenvolvimento econômico, saúde mental e qualidade de vida. “Garantir tempo para estudar, conviver com a família e descansar também é política pública”, concluiu.