
Os exames práticos para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) em Mato Grosso do Sul passaram por mudanças que alteram de forma significativa a avaliação de candidatos a motorista e motociclista. A principal novidade é o fim da tradicional prova de baliza realizada no pátio do Detran, substituída por manobras em vias públicas.
A alteração busca aproximar o exame da condução real no trânsito. Em vez de um ambiente controlado, o candidato passa a ser avaliado em situações do dia a dia, como estacionamento lateral em rua, leitura de sinalização, percepção de riscos e controle do veículo em meio ao fluxo urbano.
A mudança vale também para o exame de motocicleta. A retirada da prancha desloca o foco da avaliação para o controle da moto em subidas, descidas, frenagens e condução em baixa velocidade, além da atenção ao tráfego ao redor.
Outra mudança importante está no sistema de pontuação. O novo modelo permite o encerramento antecipado da prova caso o candidato cometa erros considerados graves, o que, segundo especialistas, tende a tornar o exame mais rigoroso, apesar do discurso de flexibilização.
Também houve redução na carga mínima obrigatória de aulas práticas, que passou de 20 para duas horas-aula. Apesar disso, a formação continua condicionada ao acompanhamento de instrutor credenciado. A quantidade total de aulas passa a variar conforme a necessidade de cada aluno.
Impacto das Mudanças na CNH em MS
Segundo a advogada Isabela Fialho, especialista em direito de trânsito, a flexibilização não significa facilitação. “A prova continua exigente e, em alguns pontos, mais rigorosa. Quem não estiver preparado para o trânsito real não vai passar”, afirma.
As aulas seguem com registro formal, incluindo assinatura do instrutor e possibilidade de uso de câmeras internas nos veículos, tanto para controle quanto para eventual contestação do exame.
As novas regras já são adotadas em Mato Grosso do Sul e em outros poucos estados, como Goiás, São Paulo, Espírito Santo e Amazonas. A expectativa é que o modelo sirva de base para uma futura padronização nacional, prevista pelo Contran, mas ainda sem data definida.