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TECNOLOGIA E FISCALIZAÇÃO

Estado investe R$ 19 MI em fiscalização com IA e Big Data no Mato Grosso do Sul

Sefaz-MS destina verbas a dados, postos fiscais, fiscalização de trânsito e segurança digital para reforçar controle.

Painéis de análise de dados em sala de monitoramento com posto fiscal desfocado ao fundo
Investimentos miram fiscalização mais ágil, com cruzamento de dados, infraestrutura em postos e segurança da informação. Foto: Gerada por IA | Adriano Hany

Com autorizações publicadas no Diário Oficial e concentradas em empenhos de novembro e dezembro de 2025, o Governo de Mato Grosso do Sul direcionou R$ 19.937.801,30 para reforçar a fiscalização da Sefaz com tecnologia e estrutura. O pacote distribui recursos entre análise e cruzamento de dados (IA e Big Data), apoio à fiscalização de trânsito e operações. Ademais, são destinadas melhorias em postos fiscais e medidas de segurança da informação, buscando ampliar a capacidade de controle. Isso também torna as ações mais rápidas e precisas.

Área X Investimento

Área que recebe verba Aplicação (em que melhora) Valor
Análise e cruzamento de dados Ferramentas de IA/BI e Big Data para processar dados e identificar padrões R$ 2.031.740,51
Fiscalização na ponta (trânsito e operações) Sistemas de apoio à fiscalização, controle de mercadorias e rotinas fiscais R$ 4.800.000,00
Infraestrutura de fiscalização (postos fiscais) Reformas e ampliações para reforçar estrutura física e operação em rotas estratégicas R$ 2.180.000,00
Segurança da informação e LGPD Adequação à LGPD, relatórios de privacidade e proteção/inspeção de tráfego em redes R$ 4.294.000,00
Suporte e operação de TI Serviços para manter sistemas e rotinas fazendárias operando (retaguarda tecnológica) R$ 6.418.060,79
Consultoria e referência técnica Acesso a programas executivos/técnicos para apoio à estratégia de TI R$ 214.000,00

Em vez de concentrar o reforço em uma única frente, os documentos apontam investimentos distribuídos em quatro áreas que tendem a impactar diretamente o dia a dia da fiscalização e da arrecadação. São elas: (1) análise e cruzamento de dados, (2) fiscalização de trânsito e controle de mercadorias, (3) infraestrutura em postos fiscais, e (4) segurança da informação e adequação à LGPD.

1) Cruzamento de dados: fiscalização mais rápida e inteligente

Uma parte do pacote foi direcionada a ferramentas voltadas para Business Intelligence, Inteligência Artificial e Big Data. Essas tecnologias servem para processar grandes volumes de informações e encontrar padrões.

Na prática, isso tende a melhorar a capacidade da Sefaz de cruzar dados com maior velocidade, identificar inconsistências e gerar “alertas” de risco para orientar auditorias e ações fiscais. Ou seja, o foco é reduzir o trabalho manual e aumentar a precisão das análises. Dessa forma, situações com maior potencial de irregularidade passam a ter prioridade.

2) Fiscalização de trânsito e estabelecimentos

Outra frente destacada envolve sistemas de apoio à fiscalização de trânsito e fiscalização de estabelecimentos. Estes são associados ao monitoramento de operações e ao controle da circulação de mercadorias no estado.

Os documentos também citam soluções ligadas à gestão de incentivos fiscais, atendimento ao contribuinte e distribuição de documentos fiscais eletrônicos, sinalizando uma tentativa de integrar rotinas que hoje podem estar fragmentadas. Com isso, a fiscalização tende a ganhar mais rastreabilidade e, ao mesmo tempo, mais capacidade de conferir informações em cadeia. Isso ocorre desde a emissão do documento até a circulação efetiva.

3) Postos fiscais: reformas e ampliação

Além dos sistemas, o material menciona investimentos em obras para reforma e ampliação de postos fiscais em diferentes municípios.

Esse tipo de reforço costuma ter impacto direto na operação: melhora as condições físicas para equipes e amplia estrutura de atendimento. Além disso, pode facilitar a instalação de equipamentos e rotinas de controle. Assim, a fiscalização não depende apenas de tecnologia “de tela”. Ela é fortalecida também no ponto onde a mercadoria efetivamente passa.

4) Segurança da informação e LGPD: proteção e governança de dados

Com mais dados sendo processados, a segurança virou uma frente própria. As autorizações incluem ações ligadas a privacidade, proteção de dados e adequação à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), incluindo relatórios e medidas de governança.

Além disso, aparecem investimentos para monitoramento e proteção de redes corporativas, sugerindo blindagem do ambiente digital onde trafegam informações fiscais e operacionais. Na prática, esse eixo busca reduzir riscos de vazamentos, indisponibilidade de sistemas e falhas de segurança. Ao mesmo tempo, tenta estabelecer regras claras de tratamento e uso das informações.

5) Gestão e inteligência econômica: leitura de cadeias produtivas via notas fiscais

Outra aplicação citada envolve um sistema de análise de cadeias de valor com dados de notas fiscais eletrônicas. O objetivo é gerar indicadores como PIB e interdependência produtiva entre municípios.

Esse tipo de iniciativa pode fortalecer a capacidade do Estado de entender como a economia se organiza e, consequentemente, orientar decisões de fiscalização e gestão. Isso é importante, pois padrões de produção e circulação ajudam a calibrar o foco do controle.

O que muda na prática

No conjunto, as autorizações indicam um reforço da fiscalização em duas pontas ao mesmo tempo: mais inteligência para cruzar dados e mais estrutura para agir em campo, com suporte digital e físico. Além disso, a segurança da informação aparece como base para sustentar essa modernização sem fragilizar dados sensíveis.