
Os dados epidemiológicos dos últimos cinco anos (2021 a 2025) mostram oscilações nos registros de AIDS e HIV em Mato Grosso do Sul, segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES). Na comparação entre 2024 e 2025, houve redução de cerca de 6% nos casos confirmados da doença.
Foram registrados 364 casos de AIDS em 2021, 306 em 2022, 368 em 2023, 404 em 2024 e 380 em 2025*, até 28 de novembro. Entre os novos casos de HIV, foram notificados 839 em 2021, 903 em 2022, 883 em 2023, 836 em 2024 e 665 em 2025*.
O Dia Mundial de Luta contra a Aids, celebrado em 1º de dezembro, busca reforçar a importância da prevenção e do diagnóstico precoce. Em Mato Grosso do Sul, a rede de atendimento conta com 11 Serviços de Atendimento Especializado (SAE), três Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA), 44 Unidades Dispensadoras de Medicamentos (UDM) e apoio da atenção básica municipal, responsável por ações de testagem e acompanhamento de pessoas vivendo com HIV/AIDS.
Neste ano, devido ao decreto estadual de contenção de gastos, o governo não programou ações específicas. As atividades de testagem serão conduzidas pelos municípios. Moradores devem consultar as secretarias municipais para informações sobre locais e horários.
A nível continental, a OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde) alerta que cerca de um terço das pessoas com HIV nas Américas é diagnosticado tardiamente, muitas vezes com doença avançada. O chamado reforça a necessidade de ampliar testagem, acesso à prevenção e início imediato do tratamento antirretroviral.
Em 2024, estimou-se que 2,8 milhões de pessoas viviam com HIV na América Latina e no Caribe. O Caribe reduziu as novas infecções em 21% desde 2010, enquanto a América Latina registrou aumento de 13%. As mortes relacionadas à Aids caíram de 42 mil para 27 mil na América Latina e de 12 mil para 4,8 mil no Caribe.
“O avanço é real, com maior acesso a medicamentos de longa duração e tratamentos mais simples, mas ainda insuficiente”, afirmou Jarbas Barbosa, diretor da OPAS. Segundo ele, 38 mil pessoas morrem todos os anos por causas relacionadas ao HIV nas Américas.
A organização ressalta que cerca de 14% das pessoas com HIV na América Latina e 15% no Caribe desconhecem o diagnóstico. O atraso aumenta o risco de infecções oportunistas, como tuberculose, criptococose e histoplasmose. A OPAS defende o uso ampliado de PrEP e PEP, além de novas tecnologias de prevenção, como o lenacapavir — injetável de ação prolongada aplicado a cada seis meses.
A entidade também coordena, com apoio da Unitaid, um projeto para reduzir a mortalidade por doença avançada na região, ampliando o acesso a testes e tratamentos para infecções oportunistas.
Combate à Aids
Sob o lema “Zero mortes por Aids em 2030”, a campanha deste ano busca mobilizar governos, profissionais de saúde e sociedade para acelerar a eliminação da doença como problema de saúde pública.
Os dados marcados com (*) são preliminares e podem sofrer ajustes.