
Em um mercado marcado por mudanças rápidas, inflação persistente e avanço da inteligência artificial, pensar estrategicamente deixou de ser um diferencial restrito a grandes empresas e passou a fazer parte das decisões mais básicas da vida profissional. A avaliação é do especialista Celso Leonardo, da Fundação Dom Cabral, que defende que pequenas escolhas diárias têm impacto direto nos resultados de empresas e carreiras.
Segundo ele, estratégia não se resume a planos complexos ou reuniões longas. Está presente, por exemplo, na forma como um profissional atende um cliente, organiza o dia de trabalho ou define prioridades.
“O simples ato de decidir já é um passo importante. Muita gente não sai do lugar porque não decide”, afirma.
Para Celso, planejar sem agir — ou agir sem planejamento — leva à perda de controle. Ele sugere que profissionais e empreendedores adotem metas curtas e objetivas, como definir até três ações prioritárias por dia e avaliar, ao final, o que foi cumprido. O processo, segundo ele, cria um ciclo contínuo de planejamento, execução e ajuste.
No atendimento ao cliente, o especialista aponta falhas recorrentes. A principal é a ausência de acompanhamento após a venda. “Não existe fidelidade sem trabalho. Se não há pós-venda, o cliente simplesmente procura outro”, diz. Ele defende o uso de dados básicos sobre o histórico de compras e preferências para tornar a relação menos genérica e mais personalizada.
A avaliação do próprio desempenho, segundo Celso, também não deve ser feita apenas internamente. Para ele, ouvir clientes e equipes é essencial para identificar falhas reais. “A autoavaliação isolada tende a enganar. O retorno do cliente é o termômetro mais honesto”, afirma.
Ao falar sobre o avanço da inteligência artificial, o especialista avalia que funções repetitivas tendem a ser substituídas, enquanto profissionais que inovam, pensam de forma crítica e oferecem experiências diferenciadas ganham espaço. “Quem faz sempre a mesma coisa do mesmo jeito corre mais risco”, diz.
Para 2026, Celso aponta que o investimento em conhecimento segue como principal estratégia de adaptação. Além de formação técnica, ele destaca o valor do autoconhecimento, da inteligência emocional e da busca por diferenciais, como o aprendizado de novas línguas. “O básico precisa estar bem feito, mas é o diferente que cria oportunidade”, afirma.
Mesmo em um cenário econômico desafiador, o especialista vê espaço para crescimento. Para ele, oportunidades surgem justamente na crise, desde que haja planejamento, apoio e disposição para inovar. “Não precisa ser algo grandioso. Às vezes, pequenas melhorias fazem toda a diferença”, conclui.