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Projeção de colheita maior muda expectativas para soja e milho

Revisão da StoneX aponta aumento da produção em 2025/26, com demanda estável, crescimento dos estoques e atenção ao mercado chinês

Estimativa para a soja passou para 181,6 milhões de toneladas - Foto: Bruno Rezende/Secom/Arquivo
Estimativa para a soja passou para 181,6 milhões de toneladas - Foto: Bruno Rezende/Secom/Arquivo

A consultoria StoneX revisou para cima suas projeções para a produção brasileira de grãos na safra 2025/26, com destaque para a soja e o milho. Segundo relatório divulgado nesta semana, a estimativa para a soja passou para 181,6 milhões de toneladas, alta de 4 milhões em relação ao levantamento anterior.

No caso do milho primeira safra, a produção agora é projetada em 26,6 milhões de toneladas, crescimento de 2,3% na comparação com o relatório anterior. Os novos números reforçam o cenário de oferta elevada, com impacto direto em estados produtores como Mato Grosso do Sul, um dos principais polos agrícolas do país.

O aumento das projeções está relacionado à ampliação da área cultivada e à revisão da produtividade média nacional, que, no caso da soja, foi estimada em 3,73 toneladas por hectare.

Ajustes na área e produtividade

De acordo com a StoneX, a área destinada à soja na safra 2025/26 foi estimada em 48,7 milhões de hectares. A combinação entre expansão territorial e desempenho das lavouras sustentou a revisão positiva da produção.

Para a analista de Inteligência de Mercado da consultoria, Ana Luiza Lodi, o cenário segue favorável, apesar de desafios climáticos pontuais. “Com a colheita avançando, as perspectivas seguem bastante positivas, apesar de algumas áreas apresentarem maior variabilidade, em função das irregularidades climáticas ocorridas ao longo do ciclo”, afirmou.

Em Mato Grosso do Sul, produtores acompanharam com atenção as oscilações do clima ao longo do plantio e do desenvolvimento das lavouras, especialmente em regiões mais afetadas por períodos de estiagem.

Milho tem revisão positiva na primeira safra

No milho de primeira safra, a StoneX apontou melhora nas estimativas principalmente por causa da revisão da produtividade em estados do Nordeste e no Paraná. No Sul, a expectativa é de rendimento elevado, com médias que podem chegar a 11,5 toneladas por hectare.

Já nas regiões Norte e Nordeste, o ciclo mais tardio mantém o clima como fator de atenção para os próximos meses. A consultoria avalia que, mesmo com atrasos pontuais, o desempenho das lavouras segue dentro do esperado.

No milho segunda safra, a revisão foi mais moderada. A produção estimada passou de 105,8 milhões para 106,3 milhões de toneladas, com aumento de área em estados como Tocantins e Pará e redução no Maranhão e no Piauí.

Demanda estável e impacto nos estoques

No balanço de oferta e demanda, a StoneX manteve inalteradas as projeções para o consumo de soja no ciclo 2025/26. Com isso, o aumento da produção tende a resultar em elevação dos estoques finais da oleaginosa.

Segundo Ana Luiza Lodi, as compras da China devem ganhar relevância nos próximos meses. “A expectativa é que a China volte seu foco para o Brasil a partir de agora”, explicou, ao comentar o cenário internacional.

No caso do milho, a demanda também não foi alterada. O aumento da produção foi compensado pela redução dos estoques iniciais, influenciada pelo forte volume de exportações registrado na safra anterior.

A StoneX também informou que os embarques brasileiros de milho no ciclo 2024/25 devem alcançar cerca de 42 milhões de toneladas, com dados oficiais previstos para divulgação nos próximos dias, o que pode influenciar as decisões para a próxima safra.

*Com informações da StoneX