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AGRO É MASSA

Soja avança, mas clima preocupa

Chuvas abaixo da média em janeiro acendem alerta para lavouras em fase final no sul de MS, apesar de início positivo da colheita

Foto: Aprosoja/MS
Foto: Aprosoja/MS

A colheita da soja já começou em Mato Grosso do Sul, mas o cenário climático mantém produtores em alerta, especialmente nas áreas com lavouras ainda em fase de desenvolvimento. Em janeiro, o volume de chuvas ficou entre 50 e 60 milímetros abaixo da média histórica, segundo dados da Embrapa, o que pode comprometer parte da produção.

A avaliação é do engenheiro agrônomo Ricardo Gonçalves, proprietário da AGIS, empresa de consultoria especializada em tecnologias integradas para a produção agrícola. Ele acompanha lavouras em diferentes regiões do Estado, como Dourados, fronteira com o Paraguai e áreas do Sul de MS.

“Em comparação com o ano passado, a lavoura está muito melhor. Tivemos um plantio bem conduzido e um cenário inicial bastante positivo”, afirma. Segundo ele, o produtor vem de anos seguidos de frustração, causados principalmente por problemas climáticos e pela relação desfavorável entre custos de produção e preços das commodities.

Impacto do Clima na Safra

De acordo com Gonçalves, o desempenho da safra ainda depende do comportamento do clima nas próximas semanas. “As lavouras mais novas ainda precisam de água para completar o ciclo. O produtor vive da média final da fazenda, não apenas das primeiras áreas colhidas”, diz.

Na região de fronteira, como Sete Quedas e áreas próximas ao Paraguai, a colheita começou há cerca de duas semanas. Em Dourados, os trabalhos tiveram início nesta semana, mas ainda representam uma parcela pequena da área total. “Estamos no começo, calibrando máquinas. Ainda não chegamos a 5% da colheita”, afirma.

Preocupações e Desafios Atuais

As primeiras áreas colhidas apresentam resultados considerados bons, mas o consultor destaca que a principal preocupação são as lavouras implantadas mais tarde. As chuvas recentes, apesar de volumes expressivos em pontos isolados, foram irregulares. “Foram chuvas pontuais, tanto em quantidade quanto em área. Dentro de uma mesma fazenda, há diferenças grandes”, explica.

Além da colheita da soja, o produtor enfrenta um período de intensa atividade no campo, com o plantio do milho safrinha e o manejo das lavouras mais novas acontecendo de forma simultânea. “É uma operação muito dinâmica. Colhe soja, planta milho e segue cuidando da soja em desenvolvimento”, afirma.

Para Gonçalves, apesar do cenário ainda exigir cautela, há um sentimento de alívio em relação às safras anteriores. “O agricultor precisa de uma safra cheia para se recompor. O começo é bom, mas o clima vai definir o resultado final”.

Acompanhe a entrevista completa: