
O teste rápido para hanseníase em Campo Grande tem sido uma das ferramentas usadas pela rede pública para ampliar o cuidado de pessoas que convivem de perto com pacientes diagnosticados com a doença.
O exame identifica, em menos de 15 minutos, se houve exposição ao agente causador da infecção e pode orientar o acompanhamento de quem tem maior risco de desenvolver sinais da enfermidade.
Disponível no SUS há três anos, o teste já foi realizado em 93 contactantes — como são chamadas as pessoas que mantêm contato íntimo e prolongado com pacientes com hanseníase — e, até agora, todos os resultados foram negativos, segundo dados do monitoramento local.
A medida ocorre em meio às ações do Janeiro Roxo, mês dedicado à conscientização sobre a hanseníase, uma doença que por muitos anos foi tratada como tabu, mas que ainda mantém números expressivos no país.
O Brasil ocupa o segundo lugar no mundo em número de casos, o que reforça a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento de pessoas expostas.
De acordo com o responsável técnico pela vigilância epidemiológica da doença na Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), Michael Cabanhas, o teste é aplicado após uma avaliação clínica, principalmente quando não há sinais claros no corpo.
“Após a avaliação clínica, onde é identificado se há algum sinal ou sintoma da doença, e observada a inexistência de lesão ou quando não há a possibilidade de diagnóstico clínico, o contactante realiza o teste rápido para identificar se já houve o contato com a bactéria que causa a hanseníase”, explica.
Acompanhamento pode durar cinco anos
Segundo o enfermeiro, quando o resultado aponta exposição, a pessoa passa a ser acompanhada por cinco anos. A proposta é manter vigilância para identificar rapidamente o surgimento de lesões típicas e iniciar o tratamento antes que haja agravamento ou complicações.
A hanseníase pode provocar sequelas quando o diagnóstico ocorre tarde. Em Campo Grande, parte dos pacientes ainda procura atendimento quando a doença já apresenta sinais avançados, o que dificulta a reversão de danos.
Campo Grande registra novos casos e diagnóstico tardio
Somente no último ano, foram registrados 35 novos casos de hanseníase na Capital. No mesmo período, 68 pacientes foram acompanhados, e a maioria já apresentava múltiplas lesões pelo corpo no momento do diagnóstico.
Dos pacientes monitorados, 54 tinham múltiplas lesões, enquanto 14 apresentavam apenas uma ou poucas manchas, o que indica que muitos casos chegam ao serviço de saúde em estágio mais evidente.
Como ocorre a transmissão da hanseníase
A transmissão acontece por via respiratória, por meio da fala, tosse ou espirro, mas de maneira diferente de outras doenças. Para que haja contágio, é necessário contato íntimo e prolongado, como morar na mesma casa ou conviver diariamente no mesmo ambiente de trabalho.
Por isso, contactantes precisam de acompanhamento constante, com atenção especial ao aparecimento de manchas e mudanças de sensibilidade na pele.
Testagem e tratamento são gratuitos pelo SUS
O teste rápido e o tratamento da hanseníase são oferecidos gratuitamente pela rede pública. A orientação é seguir corretamente o esquema terapêutico, já que o tratamento adequado evita complicações e reduz o risco de transmissão.
Conforme o protocolo, a transmissão da doença é interrompida 24 horas após o início do tratamento, desde que ele seja iniciado e mantido de forma correta.
Michael ressalta que o acompanhamento dos pacientes e a investigação dos contactantes são feitos na própria unidade de saúde.
“Quando se tem o conhecimento de um novo caso que não está em tratamento, o contactante deve buscar a unidade de referência da região onde mora, para que seja feita a investigação”, afirma.
Sinais de alerta: quando procurar atendimento
Entre os principais sinais de alerta estão:
- manchas na pele (avermelhadas, acastanhadas ou esbranquiçadas);
- diminuição da sensibilidade na região afetada;
- redução dos pelos e do suor;
- perda de força muscular em face, mãos e pés;
- surgimento de caroços, que podem ser dolorosos e avermelhados em alguns casos.
A recomendação é procurar uma unidade de saúde ao perceber qualquer um desses sintomas, especialmente em casos de convivência próxima com pessoas diagnosticadas, para avaliação e orientação adequada.
*Com informações da Prefeitura de CG