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AGRO É MASSA

UFMS lança residência agrícola com bolsa e foco no mercado

Parceria com empresa privada oferece pós-graduação prática, bolsa de R$ 2.100 e imersão em fazendas pelo país

Ricardo Brumatti no estúdio da rádio Massa Campo Grande Foto: Ana Lorena Franco
Ricardo Brumatti no estúdio da rádio Massa Campo Grande Foto: Ana Lorena Franco

A Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) abriu inscrições para a terceira turma do Programa de Residência Agrícola, uma pós-graduação lato sensu que aposta na formação prática e na aproximação direta entre universidade e mercado do agronegócio. Desenvolvido em parceria com a empresa Terra Desenvolvimento, o curso oferece bolsa mensal de R$ 2.100 e dedicação exclusiva por um ano.

Voltado a profissionais já formados em áreas como agronomia, medicina veterinária e zootecnia, o programa funciona em tempo integral e segue um modelo inspirado nas residências da área da saúde. Ao todo, são cinco vagas disponíveis, com inscrições abertas até 6 de fevereiro.

Imersão e Prática no Agronegócio

Segundo o professor da UFMS e doutor em zootecnia Ricardo Brumatti, um dos coordenadores do programa, o diferencial está na imersão total do aluno na realidade do setor. “É uma formação integralmente prática. O residente não fica em sala de aula. Ele vivencia, durante 40 horas semanais, a rotina real de uma empresa e das propriedades rurais”, afirma.

O curso tem duração de 12 meses. Nos primeiros seis, os alunos atuam na sede da Terra Desenvolvimento, em Campo Grande, com foco em gestão e custos agropecuários. Na etapa final, os residentes são encaminhados para fazendas parceiras em diferentes regiões do Brasil, onde acompanham de perto a aplicação prática dos modelos de gestão no campo.

“A proposta é que o aluno entenda todo o processo: da gestão de escritório à execução dentro da propriedade rural. Isso permite compreender, na prática, onde estão os custos, os gargalos e as oportunidades de melhoria”, explica Brumatti.

Gestão de Custos e Sustentabilidade

De acordo com o professor, o enfoque em gestão de custos responde a uma demanda crescente do setor. “O produtor rural é tomador de preço. O que ele consegue controlar, de fato, são os custos. Por isso, formar profissionais capacitados para analisar, planejar e intervir nessa área é estratégico para a sustentabilidade do agronegócio”, diz.

O modelo restrito de vagas, segundo a coordenação, se deve à natureza intensiva do curso e ao acompanhamento individualizado dos residentes. “É um programa de alto investimento, semelhante às residências médicas. Por isso, é mais seletivo”, afirma.

Processo Seletivo e Formação Profissional

O processo seletivo ocorre em duas etapas: prova de conhecimentos aplicada à área de gestão e análise curricular. Podem concorrer candidatos de todo o Brasil e também profissionais com formação no exterior, desde que atendam aos critérios do edital.

Para Ricardo Brumatti, a residência agrícola representa um avanço na formação profissional no país. “Os cursos de graduação são generalistas. A especialização vem depois. Esse programa permite que o profissional se aprofunde, de forma aplicada, naquilo que realmente impacta o resultado no campo”, conclui.

Acompanhe a entrevista completa: