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SAÚDE É MASSA

Uso de canetas pode agravar efeito sanfona, alerta médico

Especialista diz que interrupção sem mudança de hábitos leva à perda de músculo e ao aumento de gordura corporal

Henrique Coelho, no estúdio da rádio Massa Campo Grande Foto: Fernando de Carvalho/ Massa CG
Henrique Coelho, no estúdio da rádio Massa Campo Grande Foto: Fernando de Carvalho/ Massa CG

O uso das chamadas canetas emagrecedoras tem crescido no país, impulsionado pela promessa de perda de peso rápida. Mas a interrupção do tratamento, sem acompanhamento médico e mudança de hábitos, pode trazer riscos à saúde e agravar o chamado efeito sanfona.

Segundo o urologista Henrique Coelho, o principal problema está na forma como o emagrecimento ocorre. De acordo com ele, toda perda de peso envolve, em maior ou menor grau, redução de massa muscular. Quando o peso é recuperado, no entanto, o ganho ocorre quase exclusivamente na forma de gordura.

“Em um processo de emagrecimento, a pessoa pode perder até metade do peso em músculo. No reganho, não se recupera músculo, apenas gordura. Com isso, o percentual de gordura corporal aumenta e a condição de saúde piora ao longo do tempo”, afirma.

O médico explica que a repetição desse ciclo deixa o corpo mais fraco, com menos energia e maior predisposição a doenças. Entre os sinais de alerta durante o uso inadequado das canetas estão cansaço excessivo, fraqueza, dificuldade para manter atividade física, tonturas, episódios de hipoglicemia e alterações visíveis no contorno corporal.

Outro indício citado é a perda de massa em regiões como rosto e pescoço, sem redução significativa da gordura abdominal, considerada mais resistente e associada a riscos metabólicos.

Riscos e Benefícios das Canetas Emagrecedoras

Henrique Coelho ressalta que as canetas emagrecedoras podem ter indicação médica em casos de excesso de gordura corporal e presença de doenças associadas, como hipertensão e diabetes. Ainda assim, o tratamento precisa estar inserido em um plano estruturado, com acompanhamento profissional.

“O problema é quando a pessoa usa apenas a medicação, sem mudar o comportamento alimentar ou incluir atividade física. A fome até diminui, mas não há aprendizado sobre alimentação nem preservação da massa muscular”, diz.

Segundo o especialista, o reganho de peso após a suspensão do medicamento não ocorre apenas pelo retorno do apetite. Mudanças metabólicas e, principalmente, a falta de mudança de hábitos contribuem para que o peso volte rapidamente.

“Obesidade é uma doença multifatorial. Se a pessoa não muda a forma de comer, não pratica atividade física e não entende o processo, ao parar a medicação os antigos hábitos retornam”, afirma.

O médico destaca que medicamentos para emagrecimento não são novidade e sempre estiveram associados ao risco de efeito sanfona quando usados sem critério. Para ele, a medicação pode ser uma aliada, mas não funciona de forma isolada.

“Para valer a pena, é preciso um programa com acompanhamento médico, orientação nutricional e atividade física. O objetivo é perder gordura, preservar músculo e conseguir manter o resultado depois”, conclui.

Acompanhe a entrevista completa: