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Campo Grande, 19 de julho

Bloqueio que dura 3 dias na Bolívia gera fila de centenas de caminhões próximo à Corumbá

Motoristas de MS, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul parados na região há mais de 5 dias

Por Marcus Moura e Rodolfo César
10/11/2021 • 10h49
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O bloqueio na fronteira entre Brasil e Bolívia, na região de Corumbá, está em seu terceiro dia nesta quarta-feira (10) e os impactos geram repercussão em Mato Grosso do Sul e outros estados. Somente na faixa de fronteira entre Corumbá e Puerto Quijarro, bem como na rodovia bioceânica, que fica em território boliviano, há mais de uma centena de caminhões parados.

Alguns desses veículos chegaram na área fronteiriça entre quinta-feira e sexta-feira da semana passada e não conseguiram atravessar para o Brasil por conta da fila de caminhões que existe devido ao grande fluxo de tráfego. O sistema fluvial está paralisado na Bolívia desde a segunda quinzena de setembro, com isso o transporte de cargas ficou todo direcionado para o modal rodoviário.

Da média de 800 caminhões diários que cruzam o Posto Esdras, da Receita Federal, esse total pelo menos duplicou a partir de outubro. Com isso, a espera para atravessar a fronteira chegou a ficar de 24h ou mais. A Receita Federal funciona das 8h às 17h, de segunda a sexta. Com esses delimitadores, veículos que não conseguiram chegar no Brasil antes de segunda-feira (8) estão parados por tempo indeterminado do lado da Bolívia.

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Alguns motoristas são de Corumbá e ao longo do dia passam próximo aos caminhões para caso haja a liberação do bloqueio. No começo da noite, retornam para casa e nesse fluxo estão seguindo desde o dia 8. Outros casos são mais complexos. Em torno de 40 caminhões de uma empresa transportadora estão parados entre Puerto Quijarro e Roboré. A maioria dos motoristas são de Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul e todos precisam ficar dentro do veículo e aguardar até uma definição.

Só Mato Grosso do Sul mantém uma transação comercial com a Bolívia que gira em torno de R$ 100 milhões em exportação, conforme o Ministério da Economia. Esse fluxo de negócio está sendo impactado diretamente porque as cargas estão paradas. Além do bloqueio em Puerto Quijarro, outras manifestações estão ocorrendo em diferentes partes da Bolívia, afetando todo o sistema de escoamento de cargas.

Conforme apurado, o abastecimento para a Bolívia de alguns produtos, como o óleo diesel, tem prazo para ser interrompido. Há reservas que duram de três a cinco dias em diferentes cidades. Esse combustível geralmente chega na região a partir do porto em Ladário, que está inoperante por conta do nível do rio Paraguai. Essa carga pode passar a ser trazida para a região de fronteira a partir de Paranaguá (PR), porém só poderá entrar na Bolívia caso o bloqueio, chamado de paro, seja interrompido.

A manifestação que ocorre na Bolívia é organizada por Comitês Cívicos, que envolvem categorias como transportistas, empresários, comerciantes, entre outros. Eles são contrários à promulgação da Lei 1386, denominada pelo governo de Luís Arce (MAS) como Estratégia Nacional Contra a Legitimação de Ganhos Ilícitos. Os comitês cívicos sustentam que essa legislação permite que a Unidade de Investigações Financeiras possa abrir procedimentos contra qualquer cidadão a partir de movimentações bancárias e financeiras consideradas suspeitas e realizar bloqueio de bens e recursos antes de julgamento definitivo.

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