
Representantes das empresas Minas PCH, de Belo Horizonte, e Energest, de São Paulo, confirmaram nesta semana, em audiências públicas realizadas em Três Lagoas e Brasilândia, o andamento de projetos para a construção de quatro centrais hidrelétricas de pequeno porte nos rios Verde e Sucuriú, na Costa Leste de Mato Grosso do Sul.
As obras serão erguidas a partir de 2017 entre Três Lagoas, Água Clara, Inocência, Brasilândia e Ribas do Rio Pardo e os investimentos chegam a R$ 500 milhões. Somada, a capacidade de geração de energia será de 125 megawatts por hora (MW/h). Toda a energia gerada será incorporada ao sistema elétrico nacional.
O impacto ambiental das obras foi apresentado nas audiências públicas que teve a participação de engenheiros e uma bióloga, responsáveis pelos projetos, e Pedro Mendes Neto, coordenador de normas e procedimentos do Imasul, o Instituto do Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul.
Por se tratar de projetos que afetam apenas o meio ambiente dentro do Estado não é necessária autorização de órgãos federais, como o Ibama, segundo Mendes Neto e a bióloga Luciana Fernandes Benatti.
Na região de Três Lagoas serão construídas duas centrais: uma no rio Sucuriú, na divisa com Inocência, com capacidade de geração de 489 MW/h.
A barragem terá extensão de 790 metros e “paredão” de 22 metros. Trezentas pessoas devem ser contratadas para a construção, segundo Walter Pinheiro, diretor da Minas PCH.
A segunda central será construída na divisa com Brasilândia, no rio Verde, perto do ponto de deságue no rio Paraná. Terá 18,6 metros de altura. Mais 330 pessoas devem ser contratadas.
A potência total será de 25 MH/h, gerados a partir de duas unidades.
PREOCUPAÇÕES
As alterações no ecossistema da região preocupam o tenente da Polícia Ambiental, Pedro dos Santos Braga Filho. “Me preocupa é a promessa de manejo da fauna e não acontecer como no rio Verde, na Eletrosul, onde a reprodução de peixes está prejudicada por falta de condições de transporem a ‘escada’. Nestas usinas, isto deve ser previsto”, disse. A estudante Michele Guerra também se manifestou em defesa da proteção ao meio-ambiente. “É necessário haver medidas prevencionistas e não ter que, depois, ter de recompor a fauna, a flora e a cultura atingidos”, apontou.
Luciana Benatti afirmou que as medidas estão previstas nos projetos e que cerca de 60 famílias de ribeirinhos serão afetados pelas construções. “Nenhuma construção será afetada pela formação das represas destas usinas”, afirmou.