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Habilitados

Frigorífico de Três Lagoas e mais 8 de MS passam a exportar carne para Arábia Saudita

Brasil estava suspenso de exportar para o país desde 2012 por conta de um caso atípico da doença da vaca louca

 - Divulgação/Notícias MS
- Divulgação/Notícias MS

O frigorífico Mataboi de Três Lagoas – controlado desde 2012 pelo grupo JBJ Investimentos – está entre as 49 indústrias brasileiras que foram habilitadas a exportar carne bovina para a Arábia Saudita. Em Mato Grosso do Sul, serão ao todo nove frigoríficos que passaram a ter a habilitação para as exportações tanto de carne in natura quanto industrializada.

Antes de ser incorporado pelo JBJ, o frigorífico três-lagoense fechou as portas, com a demissão de todos os funcionários e a suspensão total de abates. A causa seria o acúmulo de dívidas, superiores a R$ 400 milhões. A reportagem não conseguiu contato com responsáveis pela empresa na cidade e nem infomações na matriz do JBJ, em Araguari (MG). Interlocutores da diretoria afirmaram desconhecer a liberação da exportação de carne da unidade de Três Lagoas e nem a situação atual do frigorífico na cidade. 

De acordo com a Autoridade Saudita de Alimentos e Medicamentos (SFDA), foram habilitadas as exportações de três unidades JBS, sendo duas de Campo Grande e uma de Naviraí, duas unidades Marfrig, em Bataguassu e Porto Murtinho; uma do frigorífico Total, de Paranaíba; uma do Minerva, de Batayporã, e o frigorífico Vale Grande, de Iguatemi.

Outras seis unidades instaladas em Mato Grosso, cinco em Minas Gerais, dois no Rio Grande do Sul, dois em Rondônia, dois no Paraná, 10 em São Paulo, oito em Goiás, três no Pará e um em Tocantins também foram habilitadas pelo país do Oriente Médio. 

Embora seja esperado o aumento da quantidade de estabelecimentos habilitados nas próximas semanas, a geração de emprego ainda não foi anunciado pelo setor. 

POTENCIAL ECONÔMICO

Diante deste novo cenário econômico, o setor estima que as exportações alcancem US$ 42 milhões somente durante o ano de 2016.

Segundo cálculos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o potencial para os próximos anos deve chegar a US$ 74 milhões.

Para a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne, esse é um mercado com grande potencial: o país consome anualmente 108 mil toneladas de carne (85% são importadas), com expectativa de aumentar o consumo em até 8% até 2019.

Em 2015 as exportações de carne bovina brasileira para os países árabes atingiram faturamento de US$ 1,4 bilhão – 24% do total exportado no ano. Somente os Emirados Árabes Unidos importaram do Brasil 18 mil toneladas de carne bovina no ano passado, gerando faturamento de US$ 84 milhões.

FIM DO EMBARGO

O mercado saudita foi reaberto após negociações entre o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento com o ministro da Agricultura do Reino da Arábia Saudita, Abdulrahman Al Fadhlyé. A suspensão das importações ocorreu em 2012, após um caso atípico da doença da vaca louca.

O fim do embargo à carne brasileira representa abertura não apenas do mercado saudita, mas de todos os países do Golfo. Somente a Arábia Saudita comprou, em 2014, US$ 355 milhões do produto, o que equivale a quase 100 mil toneladas. O valor representa 10% de tudo o que o Brasil exporta em carne bovina, que soma 1,1 milhão de toneladas anualmente.