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Três Lagoas, 27 de maio

MS está em alerta máximo para o risco de incêndios florestais

Queimada controlada é a principal estratégia de prevenção para criar barreira natural contra a propagação das chamas no estado

Por Isabela Duarte e Karina Anunciato
14/04/2024 • 15h21
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A estiagem prevista para este ano traz riscos de fortes queimadas em Mato Grosso do Sul, principalmente a partir do segundo semestre. Nesta semana, o Governo do Estado decretou situação de emergência ambiental com o objetivo de propor ações para proteger os biomas Pantanal, Cerrado e a Mata Atlântica, suscetíveis a incêndios florestais. O decreto foi assinado durante o Workshop de Prevenção aos Incêndios Florestais promovido pela Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc). O evento apresentou ferramentas de monitoramento dos incêndios florestais com palestras de especialistas da área.

Em entrevista ao Grupo RCN, o tenente-coronel Leonardo Rodrigues Congro, presidente do Comitê do Fogo em Mato Grosso do Sul, destacou as principais iniciativas para este período de preparação contra as queimadas.  

Tenente-coronel, a situação prevista para este ano no estado é de risco extremo?

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Leonardo Congro: Apesar de algumas chuvas, estamos abaixo da média histórica do período mais favorável para precipitações, de novembro a fevereiro. Isso realmente sinaliza uma preocupação com uma forte estiagem, com previsão inclusive da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) que acompanha a média histórica dos rios do nosso estado. O período mais agudo de estiagem deve ser de junho até outubro, mas essa janela pode ser maior. O Corpo de Bombeiros já iniciou a fase de preparação com militares no Pantanal trabalhando com orientação às comunidades e aos fazendeiros, além de aceiros para controlar a biomassa. 

Se os incêndios deste ano chegarem à mesma proporção de 2020, o estado estará preparado para o controle das chamas?

Leonardo Congro: Nós estamos preparados pra usar toda a estrutura do próprio Estado, mas se houver necessidade de chamar demais entes federativos ou o apoio do Governo Federal, como em 2020, isso será feito. Estamos trabalhando com uma antecipação muito grande. Houve uma evolução enorme desde 2020. Foi um ano que ensinou muita coisa, um ano para nunca mais esquecer e, em função desse aprendizado, todos os anos há uma preocupação muito severa do Governo do Estado com as instituições para promover essa estruturação. Temos agora aviões de combate a incêndio florestal e o Corpo de Bombeiros também avançou muito em tecnologia para um melhor planejamento das operações.

Como é aplicada a técnica dos aceiros?

Leonardo Congro: O aceiro é uma queima controlada que forma uma faixa sem vegetação, utilizado nas beiras de rodovia ou em áreas rurais, fazendo uma defesa da propriedade para que se o incêndio florestal vier, haja uma interrupção do fogo, para que ele não passe de um lado para o outro da estrada, por exemplo, e se alastre indefinidamente. Essa técnica é estudada com antecedência e autorizada junto aos órgãos ambientais, além de ser aplicada de uma maneira na qual a preservação é o principal foco. Não se faz aceiro de uma maneira indiscriminada, mas sim pensado na proteção da produção e também da própria conservação da biodiversidade. Hoje, os trabalhos estão sendo realizados na Estrada Parque Pantanal nas cabeceiras das pontes.

No caso da queima controlada como o produtor pode buscar a autorização?

Leonardo Congro: O produtor pode recorrer diretamente ao Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) solicitando a autorização, que está disponível a qualquer momento, mas também é possível que o próprio governo defina essas áreas críticas para incêndios florestais e aja em conjunto com o produtor. A queimada controlada pode ser necessária diante da janela climática da estiagem. Estamos tendo menos tempo para trabalhar preventivamente e esta é uma tendência ao longo dos anos, com aumento do tempo de estiagem. Então, o governo precisa de ajuda nesse processo para induzir a cultura de prevenção com queimas prescritas de uma maneira mais enérgica. É preciso que a sociedade tenha essa visão do problema macro e severo da estiagem. A população precisa saber que existem instrumentos à disposição para que ela possa usar e se proteger.

Como estão sendo aplicadas as técnicas de combate a incêndios em áreas úmidas, de grande acúmulo de biomassa, como os corixos?

Leonardo Congro: É feito o mapeamento estratégico com o Sistema de Inteligência do Fogo em Áreas Úmidas (Sifau) e está sendo feito um grande trabalho conjunto da Semadesc, Imassul, Bombeiros e os produtores rurais para alcançarmos exatamente essas áreas críticas. Por meio das queimas prescritas, garantimos a conservação da biodiversidade e impedimos que essas áreas tenham incêndios florestais.

Qual é a principal frente de atuação do Corpo de Bombeiros hoje?

Leonardo Congro: Nesse momento do calendário é a queima controlada, na qual o produtor, o Estado e as instituições definem estratégias para realizar essa preparação do terreno evitando o acúmulo de biomassa. Em um segundo momento, partiremos para ações de resposta, mantendo o efetivo no bioma e também com bases avançadas em treze pontos estratégicos em todo o estado, como a Escola Rural Jatobazinho. Recentemente foi inaugurada uma unidade dos bombeiros em Miranda, criando a rede de apoio à parte mais sensível ao fogo no estado. Em 2020, cerca de 60% dos grandes incêndios foram no bioma do Pantanal, então é uma área estratégica, com necessidade de ser protegida com mais atenção.

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