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Três Lagoas, 17 de agosto

Polícia investiga quadrilha que se passa por médicos para aplicar golpes

Suspeita é que a quadrilha já tenha feito vítimas em Três Lagoas, Dourados e Ponta Porã

Por Tatiane Simon e Flávio Veras
25/06/2022 • 12h00
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A Polícia Civil de Três Lagoas abriu inquérito para investigar uma quadrilha que tem utilizado unidades hospitalares de Mato Grosso do Sul para aplicar golpes de estelionato. De acordo com informações passadas pela corporação, os golpistas têm se passado por médicos e de alguma forma conseguem o telefone de parentes internados nos hospitais para solicitar dinheiro para realização de ‘procedimentos médicos’ e exames. 

A investigação está sendo conduzida pela 1ª Delegacia de Polícia Civil de Três Lagoas. De acordo com o delegado adjunto da delegacia, Marcílio Ferreira Leite, o modus-operandi já foi identificado em Três Lagoas, Dourados e Ponta Porã. Além disso, existem informações do golpe sendo aplicado, da mesma forma, em outros estados brasileiros. 

“O inquérito está apenas no início, porém já apuramos que esse tipo de estelionato está acontecendo em outras cidades de Mato Grosso do Sul e do país. Portanto, a suspeita de que se trata de uma quadrilha. Agora, nós tentaremos identificar como esses criminosos estão obtendo informações desses pacientes e entrando em contato com as vítimas. Já encaminhamos ofício às unidades de saúde para solicitar informações, para darmos procedimento a investigações”, explicou.

Uma dessas instituições é o Hospital Auxiliadora. De acordo com a assistente social da instituição, Claudilene dos Santos, ao menos um caso foi registrado com pacientes da unidade. Por esse motivo, o Hospital Auxiliadora emitiu um alerta à população relatando o golpe e também já notificou as autoridades policiais.

“Temos relatos que esses golpes estão sendo aplicados em outras cidades. Os golpistas se passam por médicos das instituições e são muito persuasivos, o que acaba convencendo mais facilmente às vítimas. Eles estão passando por um momento muitas das vezes difíceis, com familiares que têm a saúde debilitada. Eles se aproveitam desta situação para aplicar os golpes. Por esse motivo, emitimos uma alerta falando sobre o modus-operandi dos golpistas para a sociedade e também nosso pacientes”, alertou.

O golpe funciona da seguinte forma: os estelionatários, se passando por médicos, ligam para os familiares dizendo que o seu parente internado precisa fazer um exame com urgência. Eles ainda pressionam as vítimas para que elas não tenham tempo de analisar o fato, ou entrar em contato com a unidade hospitalar. Devido a situação de vulnerabilidade que elas se encontram, acabam fazendo o pagamento via Chave PIX e quando percebem o golpe, já é tarde. 
Esse foi o caso da professora Rosemeire Nóbrega de Oliveira e seu marido. Além de estarem passando pela situação de sua mãe estar internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Auxiliadora, ainda tiveram que digerir o golpe sofrido. De acordo com ela, o marido recebeu uma ligação, via WhatsApp, onde o golpista dizia que a sogra necessitaria fazer um exame, no qual o Sistema Único de Saúde não cobriria. 

“Ele pediu a quantia de R$_1.650, via PÌX e nós depositamos. Posteriormente, pediu mais R$ 850 para compra de medicamentos, foi só dessa vez que começamos a desconfiar.  Ele nos convenceu, pois a forma dele falar era idêntica a uma médico mesmo. Portanto, deu para perceber que são pessoas instruídas e estudadas, pois não falam uma palavra sequer errada. Impressionante como ele tinha todos os meus dados e a gente desesperado, acabamos caindo no golpe”, explicou.

Nota de alerta

Por meio de nota, o Hospital Auxiliadora informa que não realiza ligações ou envia mensagens pelo WhatsApp pedindo valores em dinheiro ou transferências bancárias para pagamentos de exames realizados no local. Também destacou que não solicita informações sobre pacientes.

“Lembramos que o SUS é um tratamento gratuito, os atendimentos de convênios, o próprio plano de saúde faz as cobranças e os atendimentos particulares, os valores são recebidos no próprio hospital”, consta trecho do comunicado.

De acordo com o hospital, caso alguém receba algum tipo de cobrança pelo telefone deve ligar imediatamente para a unidade porque pode se tratar de um golpe.

 

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