RÁDIOS
Três Lagoas, 16 de junho

Em 2024, Três Lagoas já registra cinco ocorrências por discriminação contra pessoas LGBTQIA+

O número já equivale a mais da metade do total de casos registrados no ano de 2023, que chegou a sete ocorrências

Por Emerson William
20/05/2024 • 09h15
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O mês de maio é mercado pela conscientização sobre o combate à LGBTfobia. Um levantamento da Secretaria de Justiça e Segurança Pública do Estado de Mato Grosso do Sul (Sejusp-MS), apontou que foram cometidos cinco crimes de injúria ou práticas discriminatórias contra pessoas LGBTQIA+ em Três Lagoas, nos quatro primeiros meses de 2024. O número já ultrapassa a metade dos crimes cometidos no ano passado, que chegou a sete casos registrados.

Duas pessoas que se declaram LGBTQIA+ foram vítimas de agressão neste ano no município, enquanto cinco foram agredidas durante o de 2023. 

Os números podem estar subnotificados, como apontou o levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que avaliou uma inconsistência nas análises de dados divulgados pelos estados.

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A LGBTfobia foi reconhecida e equiparada como crime de injúria e racismo no ano de 2019, após julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF).

O empresário Maurício Adib é homossexual e afirma ter orgulho de assumir como pessoa LGBTQIA+. Ele conta que cresceu aprendendo sobre respeito mútuo, algo que não vivenciou ao longo da vida. "Na escola eu nunca esqueço. Não sei se porque todos eram crianças, mas falava: nossa! Olha como ele fala, voz fina. Olha o jeito que ele se veste. É 'viadinho'", conta Maurício. 

A homofobia perseguiu Maurício desde a escola até o ambiente de trabalho. Não só ele, como os amigos também já foram vítimas desta prática, seja por injúria, discriminação, ou agressão. "No trabalho, as pessoas me olhavam torto, mas não chegavam a me xingar ou expor. Quando você está na rua, fazendo alguma coisa, te olham torto", relatou Maurício.

Homofobia no ambiente de trabalho

O ambiente de trabalho também pode se tornar propício a propagação destas violências, que podem passar por despercebidas, pelo fato da vítima não reconhecer que está sendo prejudicada. De acordo com o auditor fiscal da Superintendência Regional do Trabalho (SRT-MS), Douglas Santos, o tema ainda precisa de mais debates pelas empresas e órgãos fiscalizadores.

Na avaliação do auditor, o preconceito pode ser um dos motivos pelo qual existam injustiças no mercado de trabalho. "Geralmente, a pessoa que sofre este tipo de discriminação no ambiente de trabalho, é alvo de assédio moral. Aquelas brincadeiras e piadinhas que os colegas de trabalho fazem. Tem mais dificuldade de se promover na carreira dentro da empresa, o que acaba repercutindo em uma menor remuneração."

O Ministério Público do Trabalho (MPT-MS) está atuando, durante este mês, com uma campanha de conscientização sobre o tema. Em Três Lagoas, estabelecimentos comerciais e o Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS), receberam 3 mil exemplares da cartilha educativa "Na proteção da população LBTQIA+", que trata sobre questões sociais que envolvem a diversidade desta comunidade.

Confira na reportagem abaixo: 

 

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