
O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia impulsionará as exportações do agronegócio brasileiro, abrindo novas oportunidades para produtos tradicionais como café, milho, suco de laranja e mel natural. A avaliação é da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), que aponta a redução gradual de tarifas e a ampliação do acesso ao mercado europeu como os principais motores desse crescimento.
Motor de crescimento
Após mais de duas décadas de negociações, o acordo prevê a eliminação progressiva de barreiras tarifárias para uma ampla gama de produtos agrícolas e industriais. A União Europeia representa um mercado estratégico, com alto poder de consumo e regras rigorosas de qualidade, o que tende a favorecer cadeias produtivas já consolidadas no Brasil.
Café e milho lideram ganhos
Entre os destaques está o café brasileiro, especialmente o segmento de cafés especiais. Com a desoneração tarifária, a expectativa é de aumento de volumes exportados, fortalecimento da imagem do país como fornecedor de qualidade e ampliação de contratos comerciais de longo prazo.
O milho também terá sua competitividade reforçada. A abertura gradual do mercado europeu permitirá que o grão brasileiro alcance novos compradores e fortaleça sua posição em períodos de alta demanda externa. Para o setor, a medida significa diversificação de destinos e redução da dependência de mercados tradicionais.
Outros produtos do agro em destaque
Além de café e milho, produtos como suco de laranja e mel natural também ganharão espaço na Europa. Esses itens já possuem presença relevante no comércio internacional e podem se beneficiar rapidamente da redução de tarifas, ampliando a participação brasileira nas cadeias de abastecimento europeias.
MS no centro do agronegócio nacional
Mato Grosso do Sul é um dos polos mais dinâmicos do agronegócio brasileiro e deve ganhar tração com a abertura do mercado europeu promovida pelo acordo Mercosul‑UE. A produção agrícola no estado vem registrando crescimento expressivo: juntos, soja e milho representaram cerca de 74% do valor bruto da produção agrícola, destacando o papel dessas culturas no desempenho econômico local, segundo levantamento da Aprosoja/MS e dados oficiais.
Nas últimas temporadas, a produtividade de milho no estado apresentou forte avanço, com aumento médio de mais de 60% em relação ao ciclo anterior, refletindo adoção de tecnologias de cultivo e boas condições climáticas em parte da safra. Esses ganhos em eficiência impulsionam a competitividade do MS nas cadeias de valor globais e ampliam o potencial de exportação do estado.
Na cultura da soja, a área cultivada em Mato Grosso do Sul também vem crescendo, com estimativas de mais de 4,5 milhões de hectares, gerando produção próxima a 13,9 milhões de toneladas, segundo projeções agrícolas recentes. Esse volume coloca o MS entre os principais estados produtores do país e ressalta a importância para a balança comercial brasileira.
Com o acordo Mercosul‑UE, produtores e cooperativas poderão aproveitar a redução de tarifas europeias para ampliar as exportações desses grãos.
Transição gradual e previsibilidade regulatória
O acordo estabelece prazos distintos para cada produto, com redução escalonada das tarifas, permitindo que os setores produtivos se adaptem gradualmente às novas condições de mercado. Essa transição busca minimizar impactos econômicos e criar equilíbrio na concorrência entre produtores do Mercosul e da União Europeia.
Além da desoneração tarifária, a harmonização de normas e maior previsibilidade regulatória deve facilitar negociações e investimentos de longo prazo, fortalecendo a integração comercial entre as regiões.
Desafios e perspectivas para o futuro
Apesar das perspectivas positivas, especialistas alertam que o acesso europeu continuará condicionado a exigências ambientais, sanitárias e de rastreabilidade. Ainda assim, a ApexBrasil considera o acordo um marco para o comércio exterior brasileiro, com potencial de impulsionar exportações, fortalecer o agronegócio e ampliar a presença do país no mercado europeu.
*Com informações da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil)