
Na zona rural de Campo Grande, um café da manhã simples, servido aos domingos, tornou-se símbolo de recomeço, acolhimento e transformação de vida. O No Refúgio, empreendimento de turismo rural criado por Marcia Nantes e sua família, nasceu de um momento delicado e ganhou forma com o apoio da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) em Agroturismo do Senar/MS.
Após enfrentar um período marcado por ansiedade e depressão, Marcia encontrou no campo não apenas um novo endereço, mas um caminho de reconstrução emocional. O que começou como uma decisão pessoal de mudança acabou se transformando em fonte de renda, pertencimento e conexão com a natureza.
A força do campo como refúgio
Criada na cidade, Marcia sempre manteve uma relação afetiva com o meio rural, construída nas visitas à propriedade da avó e dos tios. Em 2022, no entanto, a rotina urbana passou a comprometer sua saúde emocional, levando à decisão definitiva de deixar a cidade.
Ela e o marido encontraram uma propriedade rural desativada, sem estrutura, tomada pelo mato. Mesmo diante das dificuldades iniciais, sem conforto, com banho improvisado e dormindo em instalações precárias, Marcia relata que ali encontrou paz e pertencimento.
“Era simples, mas era onde eu me sentia bem”, resume.
Um refúgio que passou a acolher outras pessoas
Com o tempo, a casa começou a ser construída e surgiu a necessidade de gerar renda. Ao lado da tia Marina, do tio Pedro e da prima Mônica, Marcia decidiu abrir as porteiras para receber visitantes.
Assim nasceu o No Refúgio, um espaço pensado para acolher pessoas da mesma forma que acolheu sua idealizadora. A cozinha da fazenda, conduzida pela tia Marina, tornou-se o coração da experiência, com receitas que carregam tradição, afeto e identidade rural.
“Quando recebo as pessoas, sinto que estou cozinhando para meus filhos e sobrinhos. É como se fosse minha própria família”, conta Marina.
Apoio técnico que viabilizou o negócio
A virada de chave veio com a chegada da ATeG Agroturismo do Senar/MS. Logo na primeira visita técnica, foi identificado o potencial da propriedade e apresentada uma nova visão: não era preciso esperar a estrutura ideal para começar.
Com orientação técnica, planejamento e acompanhamento mensal, o empreendimento foi estruturado, regularizado e aberto ao público com segurança e organização.
“Estamos na ativa hoje por conta do Senar. Eu queria deixar tudo perfeito antes de abrir, mas o técnico mostrou que já era possível começar. Todo o processo veio com o Senar”, relata Marcia.
Experiência rural e conexão com a natureza
Atualmente, o No Refúgio recebe até 50 visitantes aos domingos, oferecendo um café da manhã típico de fazenda, com pães e bolos caseiros, pamonha, frutas da estação, café passado na hora, pão de queijo, arroz carreteiro com ovo no tradicional quebra-torto e a chipa frita da tia Marina, carro-chefe do cardápio.
A experiência inclui ainda uma trilha leve em meio à mata nativa, às margens do córrego Ceroula, proporcionando um momento de pausa, silêncio e contato direto com a natureza.
Propósito que vai além do negócio
Mesmo com planos de expansão, Marcia faz questão de manter o propósito que deu origem ao empreendimento: oferecer às pessoas um espaço de desaceleração, bem-estar e reconexão.
“Para quem já enfrentou o esgotamento emocional, ambientes simples e gestos pequenos fazem toda a diferença. Foi isso que eu vivi aqui. Conseguir proporcionar essa experiência para outras pessoas é o que me motiva”, conclui.
*Com informações do Famasul