
A Polícia Civil de Três Lagoas registra, em média, 45 ocorrências por mês de infrações cometidas por menores de idade. De janeiro até maio, a polícia já computou mais de 400 delitos envolvendo adolescentes no município.
De acordo com o delegado regional, Vítor José Lopes, o fato que mais preocupa é que a Unidade Educacional de Internação (Unei) “Tia Aurora” continua interditada, desde novembro de 2009. Na época da interdição foi prometida uma nova unidade da Unei que comportasse o número suficiente de adolescentes infratores que necessitam de passar pelo processo de ressocialização, entretanto, após quase dois anos, o novo prédio nem começou a ser construído.
Lopes explicou que o mais grave da cidade não ter um prédio estruturado para receber os adolescentes é que eles acabam voltando a cometer infrações. “Por saberem que não são apreendidos, acabam voltando a cometer os delitos”, disse o delegado. Lopes ainda ressaltou que a falta do prédio gera consequência no trabalho desenvolvido pelos policiais que acaba inútil, “pois eles apreendem e logo têm de soltar”.
Lopes afirmou que os policiais civis realizam apreensões de adolescentes, mas contraditoriamente os retorna à sociedade, por causa da falta de estrutura da Unei em acolhê-los para a ressocialização. A Unei comporta apenas 12 adolescentes. “O número de infrações de menores registradas na Polícia Civil é três vezes maior do que o número de vagas oferecidos na Unei”, destacou o delegado.
Ultimamente, quando um adolescente é apreendido, ele é encaminhado à carceragem da 1ª Delegacia de Polícia Civil, mas ele não pode ficar mais do que cinco dias no local. Caso a Unei não consiga um lugar para interná-los, eles voltam para as ruas.
O diretor da Unei, Flávio Oliveira Rosa dos Santos, foi procurado pela reportagem do Jornal do Povo para falar sobre a atual situação da instituição e a construção da nova unidade, porém não foi encontrado.