
Reciclagem é uma das palavras de ordem quando o assunto é o desenvolvimento sustentável, um dos desafios mundiais da atualidade. Mas estimativas de órgãos ligados ao meio ambiente apontam que só no Brasil são produzidas diariamente quase 200 mil toneladas de lixo, e desse total apenas 2% são reaproveitados. Dentro desse contexto, estabelecimentos penais de Mato Grosso do Sul, gerenciados pela Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen), estão dando o exemplo.
Em Paranaíba, desde janeiro de 2008, todos os materiais recicláveis gerados no presídio de regime fechado passam por coleta seletiva. Segundo a chefe do Setor de Trabalho da unidade, Mônica Dantas, a seleção consiste em armazenar em bolsas próprias resíduos semelhantes. “Em uma bolsa junta-se papel, na outra plástico e assim por diante”, destaca.
Conforme Mônica, as bolsas são fornecidas gratuitamente por uma empresa local, que também compra o material reciclável. Os resíduos são separados por um interno, que se beneficia com a remição de pena, e ainda recebe 10% do valor arrecadado com o material vendido; o restante da arrecadação é destinado ao desenvolvimento de projetos. “Os benefícios desta conduta cidadã são inúmeros, vão desde a contribuição ambiental com o planeta, até o favorecimento da saúde dos internos, servidores e frequentadores da unidade penal, que podem usufruir de um ambiente mais limpo e organizado”, comenta.
Em Ponta Porã, na Unidade Penal “Ricardo Brandão” (UPRB), todo o material – como garrafas pet, latas, papelão, e plástico – também é separado e encaminhado mensalmente para a reciclagem. A mesma ação é desenvolvida na Penitenciária Harry Amorim Costa (Phac), em Dourados.
Na Capital, do Estabelecimento Penal “Jair Ferreira de Carvalho” – Segurança Máxima – unidade que abriga o maior número de internos no Estado, é encaminhada para a reciclagem uma média de 1,1 mil quilos de materiais por mês, somente entre papéis e plásticos. A iniciativa, conforme a administradora do presídio, Nair Borba, dá ocupação produtiva a seis reeducandos, evitando a ociosidade, e ainda ajuda a manter a limpeza do local. O exemplo é seguido no presídio feminino.
Já no Instituto Penal de Campo Grande (IPCG), cestas específicas de coleta seletiva foram instaladas nos pátios em frente às celas, ficando um reeducando responsável pelo controle em cada solário. Cerca de 30 custodiados contribuem com o procedimento, destes, seis atuam diretamente no “Setor de Reciclagem”, na separação de garrafas, sacolas, papelão, entre outros.
De acordo com o chefe do Setor de Trabalho do IPCG, Adiel Barbosa, o material coletado é recolhido a cada 15 dias por uma empresa recicladora, que fornece os tambores e materiais de trabalho.