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China chama organizadores do Nobel da Paz de palhaços

Todos os embaixadores baseados em Oslo são tradicionalmente convidados à cerimônia de entrega do Nobel da Paz

Os membros do Comitê do Nobel são "palhaços", afirmou nesta terça-feira Jiang Yu, a porta-voz do Ministério chinês das Relações Exteriores.

Jiang garantiu ainda que a grande maioria dos países convidados não comparecerá à cerimônia de entrega do Prêmio Nobel da Paz ao dissidente chinês detido Liu Xiaobo, informação desmentida pelo comitê.

"Os que integram o Comitê do Nobel orquestram entre eles uma agitação antichinesa", declarou Jiang. "Não mudaremos pela interferência de alguns palhaços", completou, a três dias da entrega do prestigioso prêmio em Oslo, na ausência do vencedor, detido por suas convicções democráticas.

Jiang afirmou ainda que a China recebeu apoio de mais de cem países. "Você pode perceber claramente que a grande maioria da comunidade internacional não assistirá à cerimônia".

A informação foi desmentida, contudo, pelo diretor do Instituto Nobel, Geir Lundestad, que disse que a maior parte dos países convidados assistirá à cerimônia de entrega do Prêmio Nobel da Paz na próxima sexta-feira (10).

Segundo o Instituto Nobel, 44 embaixadas confirmaram a presença, 19 recusaram o convite por diferentes motivos e duas não responderam ao convite. "Basta olhar os números. A grande maioria dos países convidados estará representada", declarou Lundestad.

Todos os embaixadores baseados em Oslo são tradicionalmente convidados à cerimônia de entrega do Nobel da Paz, que este ano foi atribuído ao Liu, dissidente detido chinês, em uma decisão duramente criticada por Pequim. Mas muitos países não têm representação diplomática na Noruega.

"Estamos realmente contentes de que dois terços dos países convidados tenham respondido positivamente ao nosso convite. É gratificante que países como Índia, Brasil, África do Sul ou Indonésia tenham afirmado sim. Isto significa muito para nós", disse Lundestad.

Nas últimas semanas, a China exerceu pressões para dissuadir os diplomatas e militantes dos direitos humanos de comparecer à entrega do Nobel da Paz. Além da China, os países ausentes serão Rússia, Cazaquistão, Colômbia, Tunísia, Arábia Saudita, Paquistão, Sérvia, Iraque, Irã, Vietnã, Afeganistão, Venezuela, Filipinas, Egito, Sudão, Ucrânia, Cuba e Marrocos.

O Instituto Nobel recordou que há dois anos dez embaixadas não compareceram à cerimônia de entrega do Nobel ao finlandês Martti Ahtisaari, um prêmio que teve amplo consenso.

A alta comissária da ONU para os direitos humanos, Navi Pillay, também não vai comparecer –o que foi criticado por alguns dissidentes exilados.