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Especialista defende capacitação em direitos humanos por universidades para formação de professores

Para ela, "as universidades têm sido tímidas" em relação ao tema

As universidades brasileiras têm de intensificar a abordagem dos direitos humanos em seus cursos, principalmente nos de licenciatura e pós-graduação, que visam a formação de professores. A opinião é da filosofa Vera Maria Candau, membro do Comitê Nacional de Educação em Direitos Humanos, que acredita que os docentes e demais agentes multiplicadores devem estar aptos a lidar com o tema para ajudar a disseminar novos valores na sociedade.

“Muitos ainda assimilam os direitos humanos a uma questão de proteger bandidos. Desconstruir esta visão e demonstrar que os direitos não estão a serviço de um determinado grupo ainda vai exigir uma longa caminhada já que a sociedade brasileira foi construída a partir de muita desigualdade e de autoritarismo. A cultura dos direitos humanos coloca em questão toda esta visão estrutural na medida em que vai questionando estas disparidades e o autoritarismo”, disse Vera.

Professora do departamento de Educação da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), Vera foi uma das convidadas da 1ª Semana de Educação em Direitos Humanos, evento realizado pela Universidade Metodista e que ocorre até amanhã (19), em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. Para ela, "as universidades têm sido tímidas" em relação ao tema.

“A educação em direitos humanos é uma educação necessariamente voltada para a mudança já que visa conscientizar as pessoas de que elas são sujeitas de direitos e de que estes não são dádivas nem são concedidos porque os governos querem ou não os querem”, explicou a professora. “Para formar essa consciência entre as pessoas é preciso haver agentes multiplicadores desta perspectiva e uma mídia atuante."

Vera acredita que a compreensão sobre direitos humanos é algo que “vai penetrando lentamente na sociedade”. Para ela, tem se ampliado cada vez mais a percepção de que os direitos humanos não dizem respeito exclusivamente às esferas individual e política, mas também coletiva, cultural e ambiental.