
A principal lição a ser tirada do acidente que há mais de um mês vem provocando vazamento de óleo na parte americana do Golfo do México, a partir da explosão de um poço da British Petroleum (BP), é a de que o Brasil deve avaliar melhor os riscos das principais operações desenvolvidas em águas profundas e ultra-profundas. A opinião foi manifestada à Agência Brasil, pelo diretor de Tecnologia e Inovação da Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), professor Segen Estefen. “Aqui na Bacia de Santos as profundidades serão maiores que as desse poço da BP no Golfo do México. Estudos desenvolvidos aqui na Coppe indicam que existe uma relação direta entre a profundidade do poço e a taxa de falha desse equipamento chamado de BOP (Blow Out Preventer) – que fica na cabeça do poço para evitar possíveis acidentes”, alertou.Para o professor, esse estudo – na medida em que confirma a relação profundidade/falha – significa que se devem ser revistas as condições de confiabilidade e os procedimentos de operação e manutenção dos equipamentos.“Isto envolve segurança de embarcações e equipamentos, maior treinamento para o pessoal que executa as operações mais sensíveis e, além disso, mais cuidado com os planos de contingência, para neles integrar as novas tecnologias hoje disponíveis”, observou.
PREPARADO
Apesar dos alertas feitos quanto à necessidade de aumentar a segurança das atividades petrolíferas offshore (no mar) no país, o professor Segen Estefen disse que “não há dúvida” de que o país está melhor preparado para combater acidentes como o que vem causando derramamento de óleo na parte americana do Golfo do México há mais de um mês. “O Brasil está melhor preparado porque tem a Petrobras – que é uma das empresas mais bem preparadas no mundo para enfrentar acidentes desse tipo.
Mas é bom ressaltar: nem mesmo a Petrobras está fora do estado da arte da indústria do petróleo, ou seja, do risco. Um vazamento desse tipo em mar aberto, descontrolado, traria dificuldades semelhantes às que estão sendo enfrentadas no Golfo do México”, alertou.
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