
“Canta tua aldeia e serás universal”, ensinou Tolstói. A frase ajuda a compreender o sentido das eleições de 2026, que deveriam ser guiadas por propostas e compromissos públicos, não pela radicalização do discurso político.
Em Mato Grosso do Sul, o governador Eduardo Riedel buscará a reeleição. No plano nacional, o presidente Lula tentará novo mandato. Mas o contexto dessa disputa extrapola a política local e se conecta a um cenário internacional cada vez mais instável.
O próximo ciclo eleitoral será decisivo para medir a resistência das democracias. No Brasil e no mundo, cresce a pressão de forças extremistas, impulsionadas pela desinformação digital e pelo enfraquecimento do debate público. Nos Estados Unidos, a possibilidade de retorno de Donald Trump ao poder reforça estratégias de apoio a agendas ultraconservadoras, especialmente na Europa.
Ao longo de 2026, eleições em diferentes países funcionarão como termômetro desse embate, marcado por tensão institucional e questionamentos às regras do jogo democrático. Em outubro, o Brasil estará no centro dessa observação.
Cantar a própria aldeia, com responsabilidade, diálogo e compromisso democrático, segue sendo o melhor caminho para enfrentar um mundo em ebulição.
*Bosco Martins é jornalista e escritor.