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ARTIGO

Bons propósitos para o Ano Novo

Confira o artigo de Jacir Venturi

Jacir J. Venturi é autor de livros e vice-presidente do Conselho Estadual de Educação do PR. Foto: Divulgação.
Jacir J. Venturi é autor de livros e vice-presidente do Conselho Estadual de Educação do PR. Foto: Divulgação.

Em 1º de janeiro, iniciou-se um novo ano civil, comemorado com o espoucar de fogos de artifício e com o início de mais uma volta da Terra ao redor do Sol.

Renascem esperanças, despertam sonhos que aguardavam apenas um sopro para florescer.

É em Drummond — já maduro, já sábio em suas inquietações — que busco o lume para este preâmbulo:

“Para ganhar um Ano Novo

que mereça este nome,

você, meu caro, tem de merecê-lo,

tem de fazê-lo novo. Eu sei que não é fácil,

mas tente, experimente, consciente.

É dentro de você que o Ano Novo

cochila e espera desde sempre.”

E, nos umbrais desse tempo recém-nascido, brotam promessas e propósitos:

1. Para o bem-estar psíquico, aceitar que pouquíssimas pessoas estarão interessadas pela minha autoestima — e muito menos pelos meus melindres. Afinal, na vida adulta, perde-se o direito de ser melindroso.

2. Reconhecer que, a cada momento, a vida apresenta bifurcações. O mais difícil é decidir o melhor caminho, e sou responsável pelas consequências das minhas decisões.

3. Ser resiliente no sofrimento, pois tentar escapar da dor é fugir da própria condição humana.

4. Fazer da coerência o meu propósito maior. Ser eu mesmo, mas não o mesmo por toda a vida, pois é preciso evoluir um pouco a cada dia.

5. Praticar a generosidade sem esperar reconhecimento — e com sabedoria para suportar a eventual ingratidão.

6. Deixar o passado no lugar dele. Nem Deus consegue mudá-lo. Mas as lições devem permanecer e iluminar minhas escolhas.

7. Demonstrar atenção genuína pelas boas realizações de cada amigo, familiar ou colega.

8. Não permitir que mágoas do passado e ansiedade pelo futuro comprometam a plenitude do meu presente.

9. Aprender a dizer “não”, uma arte das mais difíceis, mas de grande eficácia para um bom desempenho profissional e familiar.

10. Viver a vida como a grande escola que ela é. Ser um bom aluno e transformar cada erro em aprendizado. Vale o refrão: “Na vida eu acerto ou aprendo”.

11. Buscar conquistas sem a necessidade de levar o mérito, permitindo que o valor do gesto fale por si.

12. Ser uma pessoa interessada e interessante na proporção de saber ouvir atenciosamente e falar adequadamente.

13. Aceitar a vida como uma gangorra de altos e baixos — matematicamente, uma senoide. Deus nunca nos dá tudo, mas também não nos priva de tudo.

14. Mesmo cansado, sempre ir um pouco além. Quem vai além do seu dever promove encantamentos.

15. Entender que todo relacionamento é um sistema de vasos comunicantes. Assim, devo dedicar o melhor dos afetos, pois eles se retroalimentam.

16. Não procurar culpados, mas estar sempre em busca de soluções.

17. Dedicar parte da vida à construção da autonomia na velhice: financeira, física e emocional. E buscar deixar, ao partir, saudades — e não alívio.

18. Reconhecer que tenho dentro de mim dois cães que se digladiam todos os dias: um representa a emoção e o outro, a razão. Qual vencerá a briga? Aquele ao qual eu mais alimentar. Por isso, ambos devem receber porções iguais. O equilíbrio entre os sentimentos e a inteligência é a essência de uma vida de contentamento interior.

19. Percorrer a trilha da espiritualização. Manter a fé no Deus criador, a inteligência infinita. Crer na força das preces, das boas energias e do pensamento positivo, que confortam e curam nas horas de sofrimento.

20. Manter viva a prática da caridade cristã, voluntária e sincera. Sobre isso, Madre Teresa de Calcutá tem autoridade para nos ensinar: “As mãos que ajudam são mais sagradas que os lábios que rezam.”

Jacir J. Venturi é membro do Centro de Letras do Paraná (CLP) e do Conselho Estadual de Educação do Paraná (CEE/PR). Autor do livro Da Sabedoria Clássica à Popular, entre outros, foi professor da UFPR, PUCPR e Universidade Positivo, além de diretor de escola.