Veículos de Comunicação

Conscientização

“Existe uma falta de responsabilidade no trânsito”, afirma diretor José Aparecido de Moraes

Segundo o diretor, a maior parte dos sinistros é consequência direta da imprudência

Apesar da fiscalização, o diretor reforça que a mudança real depende da conscientização da população. Foto: Reprodução/TVC HD.
Apesar da fiscalização, o diretor reforça que a mudança real depende da conscientização da população. Foto: Reprodução/TVC HD.

O trânsito de Três Lagoas segue como um dos principais desafios para a segurança pública do município. Em entrevista ao programa RCN Notícias, da TVC HD canal 13.1, o diretor do Departamento Municipal de Trânsito (Deptran), José Aparecido de Moraes, fez um alerta contundente sobre o comportamento dos condutores e os altos índices de acidentes registrados ao longo de 2025.

Segundo o diretor, a maior parte dos sinistros é consequência direta da imprudência.

“O que falta aqui em Três Lagoas realmente no trânsito é a parte da educação. As autoridades fazem a parte delas, mas muitos condutores não cumprem as suas obrigações”, afirmou.

Dados apresentados pelo Deptran mostram que, no ano passado, o município registrou 14 mortes no trânsito, sendo 12 envolvendo motociclistas. Para Moraes, o número é alarmante e precisa ser revertido.

“Vamos fazer um 2026 diferente. Isso depende muito mais do cidadão do que das autoridades”, ressaltou.

Entre as infrações mais recorrentes, o diretor destacou a falta do uso do cinto de segurança, responsável por cerca de 35% das notificações, além do uso do celular ao volante, avanço de sinal vermelho e condução de veículos sem habilitação.

“Hoje, segurar o celular enquanto dirige já é infração. Não importa se está falando ou não. Mesmo assim, as pessoas insistem em desrespeitar a lei”, explicou Moraes.

Outro ponto crítico citado é o transporte irregular de crianças em motocicletas.

“É totalmente proibido transportar menores de 10 anos em motocicletas. Mesmo assim, vemos isso diariamente nas ruas”, alertou.

O diretor também chamou atenção para o comportamento de motociclistas, especialmente entregadores.

“O motociclista não tem proteção nenhuma além do próprio corpo. Muitos não respeitam a sinalização e acabam se envolvendo em acidentes graves”, disse.

Segundo ele, campanhas educativas específicas devem ser intensificadas para esse público ao longo de 2026.

Uma das mudanças implementadas pelo município foi a ampliação da fiscalização. Desde dezembro, os agentes de trânsito passaram a atuar 24 horas por dia, sete dias por semana.

“O trânsito é um serviço essencial, assim como a saúde. Não podia parar à noite ou nos fins de semana”, explicou Moraes.

Atualmente, Três Lagoas conta com 23 agentes de trânsito, número considerado insuficiente.

“Pelo porte da cidade, precisaríamos de pelo menos 50 agentes”, afirmou.

Durante a entrevista, o diretor também esclareceu as novas regras para ciclomotores e bicicletas elétricas. Veículos com acelerador e que ultrapassem 32 km/h precisam ser registrados no Detran, além de exigirem habilitação e uso de capacete.

“Se tem acelerador, é ciclomotor. Precisa de registro, capacete e CNH ou autorização específica”, explicou.

Moraes informou ainda que o município estuda uma legislação própria para regulamentar o uso desses veículos em vias públicas.

Apesar da fiscalização, o diretor reforça que a mudança real depende da conscientização da população.

“Se conseguirmos evitar ao menos uma morte no trânsito em 2026, já será uma grande vitória”, concluiu.