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Três Lagoas será mapeada pelo Governo do Estado em ação contra a favelização e a pobreza

Mapeamento estadual vai identificar áreas de favelização em Três Lagoas

Três Lagoas integra levantamento inédito do Estado sobre favelas e áreas de vulnerabilidade -  Foto: arquivo/JP
Três Lagoas integra levantamento inédito do Estado sobre favelas e áreas de vulnerabilidade - Foto: arquivo/JP

Três Lagoas está entre as quatro maiores cidades de Mato Grosso do Sul que serão contempladas pelo mapeamento estadual de favelas e áreas de vulnerabilidade social, iniciativa anunciada pelo Governo do Estado dentro dos Contratos de Gestão para 2026, com foco no enfrentamento e na erradicação da extrema pobreza.

Dando prosseguimento à assinatura dos Contratos de Gestão, o governador Eduardo Riedel firmou as metas e projetos do ano com a Secretaria Estadual de Assistência Social e dos Direitos Humanos. Entre os principais objetivos está o combate à extrema pobreza e o mapeamento das áreas de favelização nas quatro maiores cidades do Estado: Campo Grande, Dourados, Corumbá e Três Lagoas.

De acordo com a secretária estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, Patrícia Cozzolino, o levantamento permitirá compreender a realidade de cada ocupação de forma individualizada. Segundo ela, o mapeamento será fundamental para embasar políticas públicas mais eficazes. A secretária destacou que a proposta é analisar ocupação por ocupação, entendendo as especificidades de cada local.

Ela também reforçou que o Governo do Estado mantém como prioridade a erradicação da extrema pobreza em Mato Grosso do Sul. Conforme explicou, os números são considerados positivos devido à intensificação da busca ativa por pessoas em situação de vulnerabilidade, trabalho que seguirá sendo ampliado ao longo de 2026.

Outro ponto previsto no Contrato de Gestão da pasta é a realização de uma busca ativa dos pescadores profissionais, ação que será desenvolvida em conjunto com a Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação e com a Polícia Militar Ambiental. A iniciativa pretende identificar, visitar e individualizar esses trabalhadores, permitindo que o Estado desenvolva políticas públicas baseadas em dados concretos.

Ao todo, a Secretaria Estadual de Assistência Social e dos Direitos Humanos apresentou 25 ações que deverão ser executadas dentro do Contrato de Gestão. Após a etapa de assinaturas, terão início oficinas e orientações técnicas, seguidas pelos processos de execução e monitoramento das propostas, com avaliações periódicas até a entrega final, prevista para o fim de 2026.

O programa dos Contratos de Gestão, considerado um case de sucesso nacional, possui 11 anos de história e define metas e projetos de cada secretaria estadual. O objetivo é estimular propostas inovadoras que resultem na melhoria dos serviços públicos e impactem diretamente a vida da população.

Em Três Lagoas, dados do IBGE, com base no Censo 2022 e atualizações até 2024, identificaram cerca de duas áreas caracterizadas como aglomerados subnormais. Estudos também apontam que mais de um terço da população do município vive em situação de pobreza ou extrema pobreza, com aproximadamente 15 mil famílias com renda de até meio salário mínimo.

As áreas de favelização no município são marcadas, em muitos casos, por moradias precárias, construídas com lona, madeira e zinco, sem acesso regular a saneamento básico, água encanada, rede de esgoto, energia elétrica formalizada ou endereço oficial. Essas ocupações apresentam alta densidade de moradores e condições de grande vulnerabilidade social.

O rápido crescimento econômico e populacional de Três Lagoas, impulsionado por grandes empreendimentos industriais, contribuiu para um desenvolvimento desigual, favorecendo o surgimento e a intensificação de áreas de ocupação informal. Entre os locais citados estão a região da saída para Brasilândia, onde famílias ocupam uma área particular alegando não ter condições de arcar com aluguel, e o bairro São João, que registra ocupação em área pertencente à prefeitura.

Com o mapeamento anunciado pelo Governo do Estado, a expectativa é que Três Lagoas passe a contar com diagnósticos mais precisos sobre essas áreas, possibilitando a formulação de políticas públicas direcionadas, com foco na redução das desigualdades sociais e na melhoria das condições de vida da população em situação de vulnerabilidade.