
Apesar de grandemente difundida, nos últimos anos, como alternativa para correções de problemas com obesidade, a cirurgia bariátrica – ou redução do estômago – pode não ser a solução para algumas pessoas. Uma reeducação alimentar anterior ao procedimento, além de resultados 100% confiáveis em exames clínicos, é fundamental para o sucesso de uma cirurgia.
Para submeter-se a uma cirurgia bariátrica, o paciente precisa ter índice de massa corpórea maior que 35 com comorbidades ou 40 kg/m2 sem comorbidades. O nome complicado representa um conjunto de problemas de artropatia, pressão alta, diabetes, dislipidemia, entre outras alterações decorrentes da obesidade.
Outros limitantes para o procedimento são a perda anterior de peso e ter entre 18 e 65 anos.
Um dos alívios é o avanço tecnológico da cirurgia e do tratamento. “Antigamente utilizava-se muito a cirurgia por corte – que chamamos de método convencional. Com esse método convencional, as complicações eram muito mais acentuadas que hoje, que utilizamos a videolaparoscopia, é mais rápida, com menor trauma ao paciente e pós-operatório mais tranquilo”, explica o médico Thiago Boschi Viana, com especialização na área.
ORIENTAÇÕES GERAIS
As primeiras 48 horas após a cirurgia são de jejum absoluto no hospital, e mais 11 dias posteriormente só de dieta líquida, com 100 ml por hora, e nada de resíduos nem frutas. Depois de 11 dias podem ser ingeridos alimentos pastosos e, no 25º dia, o paciente volta à dieta normal.
“Os riscos de pós-operatório são embolia pulmonar, trombose venosa e complicações cirúrgicas, como as fístulas. Eu aconselho aos meus pacientes andar pelo quarto logo depois da cirurgia. Pouquinho tempo depois já podem começar a caminhar pelos corredores do hospital. Assim, diminuem o perigo do sofrerem embolia pulmonar ou uma trombose venosa, entre outras complicações do período pós-operatório, por se tratar de pacientes obesos de alto risco”.
A dieta rigorosa no pós-operatório dura um ano junto com tratamento multidisciplinar, há pacientes que alcançam a meta antes deste tempo. Como o nível dessa perda é grande no primeiro ano da cirurgia, a dieta rigorosa é fundamental, disse Thiago.
Mas, o paciente tem que ser esclarecido de que não vai conseguir comer como antes nem sentir a mesma fome – então tem que saber comer. “Tem gente que come pouco e mal. Outros comem muito.” A intenção da bariátrica é justamente essa: dar ao paciente a qualidade de vida que ele não tinha antes; ter mais disposição para trabalhar, um sono melhor, não viver dependente de remédios para colesterol, pressão, etc. “Só que o paciente tem que lembrar que daqui três ou cinco anos o organismo já se acostumou com a cirurgia, e tem que ficar atento para não ganhar peso novamente. Por isso tem que ter o acompanhamento multidisciplinar, principalmente nutricionista e psicólogo”, diz.
CONHEÇA O MÉDICO
Thiago Viana é formado pela Faculdade de Medicina Barão de Mauá, de Ribeirão Preto (SP), em 2010. Fez residência em cirurgia-geral na Santa Casa da cidade até 2012; de 2013 a 2014 fez residência em videocirurgia e endoscopia digestiva alta e baixa no Hospital Pitangueiras de Jundiaí e, em 2014, veio para Três Lagoas. Possui título de especialista da Sociedade Brasileira de Videocirurgia, é especialista em videolaparoscopia e possui título de especialista do Colégio Brasileiro de Cirurgia do Aparelho Digestivo – o que habilita o profissional a realizar cirurgias de todo o aparelho digestivo.