
Pequenas agroindústrias de produtos de origem animal instaladas em municípios do sul de Mato Grosso do Sul passaram a contar com uma nova possibilidade de expansão de mercado. O consórcio Sul-Fronteira, que reúne Amambai, Dourados, Douradina, Laguna Carapã, Ponta Porã, Antônio João e Aral Moreira, recebeu certificação que permite a comercialização de produtos para todo o estado.
Na prática, agroindústrias que já possuem Serviço de Inspeção Municipal (SIM) ou inspeção do próprio consórcio poderão, a partir da adesão ao programa, vender seus produtos além das fronteiras dos municípios de origem. Dessa forma, a produção local de queijos, embutidos, carnes processadas e outros itens de origem animal ganha um canal a mais para alcançar novos consumidores.
Programa exige padrão sanitário harmonizado com o estado
A certificação faz parte de um programa desenvolvido pela Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) em parceria com a Iagro, Agraer e o Ministério da Agricultura e Pecuária. A coordenação técnica fica a cargo da Iagro, que é responsável por avaliar a conformidade dos serviços de inspeção dos municípios e consórcios.
Antes da adesão, as estruturas passam por análise criteriosa. Assim, não se trata de uma simples autorização automática. O município ou consórcio deve estar cadastrado no sistema CISB do Ministério da Agricultura e ter legislação de inspeção harmonizada com o sistema estadual. Só depois de atender a essas exigências é que recebe o certificado de adesão.
Além disso, produtos e processos são verificados para garantir que os padrões sanitários mínimos sejam respeitados. O objetivo é assegurar que, ao circular por diferentes regiões do estado, os alimentos mantenham qualidade e segurança para o consumidor final.
Mais mercados, mais renda e valorização de produtos regionais
Com a certificação, abre-se um novo horizonte para pequenos empreendedores. Eles podem negociar com redes varejistas, feiras, mercados institucionais e clientes de outras regiões, o que aumenta a escala potencial de vendas. Consequentemente, a margem de lucro e a sustentabilidade econômica desses negócios tendem a melhorar.
Por outro lado, o consumidor passa a ter acesso a uma diversidade maior de produtos regionais, que carregam identidade cultural e saber fazer local. Alguns itens típicos de uma região, por exemplo, ganham condições de chegar a prateleiras de outras áreas do estado, fortalecendo a ideia de intercâmbio de sabores e tradições.
Em um contexto de busca por agregação de valor na produção agropecuária, a política de certificação se mostra peça importante. Ela conecta sanidade, regularização e abertura de mercado, dando às pequenas agroindústrias instrumentos concretos para crescer sem abandonar a base regional que as torna únicas.
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