ARTIGOS

Igualdade, sempre.

Leia o editorial do jornal do povo, na edição deste sábado (20)

Por Redação
20/11/2021 • 07h00
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Inconcebível, inaceitável entre outras expressões de repúdio, notícias que apontam fatos de descriminação racial contra negros no Brasil e no mundo afora O nosso país é devedor para com as pessoas da raça negra por ter imposto pela força e submissão o trabalho escravo. A escravidão, que maculou a nossa história ao trazer do continente africano homens, mulheres que foram forçados aos  trabalhos  e castigos mais duros que temos notícia. O tratamento perpetrado contra pessoas que deveriam ser tratadas com igualdade e respeito nunca deveria ter encontrado guarida no nosso país. Essa chaga que alcança a nossa nacionalidade ainda paira sobre a nação brasileira, e certamente, empana o seu desenvolvimento. A abolição da escravatura proclamada em 1888 pela princesa Izabel – a Redentora, cujos pais nunca aceitaram a escravidão no Brasil foi a mão abençoada que assinou a lei que libertou do jugo escravagista os negros dos senhores que abusavam e aproveitam do trabalho, que não remunerava e submetia a dignidade  humana. Durante a vigência da escravidão que submeteu a raça negra trazida sob fôrça do continente africano, três leis precederam a Lei Áurea. A primeira editada em 04 de setembro de 1850, a lei Eusébio de Queirós, que visou acabar com tráfico de escravos transportados da África em navios negreiros. Vinte e um anos após, em 28 de setembro de 1871, a lei do Ventre Livre concedeu liberdade às crianças de mães escravas. E, por último, antes da lei da Princesa Izabel - a Redentora, assinou a Lei Áurea.

O Parlamento do Império, também, editou a Lei dos Sexagenários em 28 de setembro de 1885, que libertava os escravos com 60 anos ou mais, da escravidão. Coincidentemente, estas três leis prenunciaram para os escravos uma nova primavera, um novo tempo. Mas, como a resistência era grande na aristocracia do império e entre os senhores de engenho e comerciantes, a plenitude da liberdade tropeçou e demorou anos e anos para romper a aurora de um novo tempo, que se presumia ser de igualdade e respeito devido aos negros escravos e seus descendentes. Infelizmente, decorridos mais de 133 anos, em pleno os avanços tecnológicos do século 21, se não temos a escravidão, vemos e vivemos tempos de descriminação racial inaceitável sob todos os aspectos. Nenhuma pessoa está acima de outra. Todos somos iguais, porque não dizer de carne e osso, por onde nas veias corre o sangue da mesma cor. Distinguir qualquer pessoa por conta da cor da pele é uma ignomínia sem precedentes. Qualquer palavra que humilhe ou diminua a pessoa humana deve ser repelida com a força da inteligência de quem tem consciência pelo respeito e amor que devemos ao próximo.

Neste sábado celebramos o Dia da Consciência Negra, que homenageia neste  dia Zumbi dos Palmares, símbolo da resistência negra, que abrigou no seu Quilombo nas Alagoas, negros fugitivos no passado triste. Hoje não há mais se falar em escravidão e muito menos, em distinção de raças e cor. Não há lugar para atitudes indignas. Hoje se deve tributar, uns aos outros, todos  livres de quaisquer amarras, respeito e tratamento digno. A humanidade evolui e os homens que detêm a sua condução precisam saber defender e pregar perante a sociedade e com ela, a igualdade da pessoa humana. Que sirva o dia de hoje para disseminar a consciência de que o negro é igual a qualquer branco. E que todas as oportunidades devem ser mais do que nunca democratizadas em respeito à fraternidade que deve nortear homens e mulheres.

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