
Há histórias que não começam com promessas grandiosas, mas com decisões simples. Às vezes, elas nascem no chão batido da roça, no cheiro da mandioca cozida, no silêncio de quem aprende a amar sem saber ler palavras, mas sabendo viver valores.
Foi assim que Desidério, hoje com 88 anos, e Efigênia, aos 86, começaram a escrever uma história que atravessou seis décadas. Um casamento firmado não na facilidade, mas na fé. Não no conforto, mas no compromisso. Não no que sobrava, mas no que faltava.
“Eu me casei com ela para viver até que a morte nos separe.”
Desidério diz isso sem pompa, sem metáfora. Diz como quem apenas cumpriu o que prometeu.
Ao lado dele, Efigênia concorda com a simplicidade que marca toda a sua vida. “Sim, eu também.”
E talvez não exista resposta mais honesta para explicar 60 anos de casamento.
Eles não sabiam onde chegariam quando se casaram. Mas sabiam com quem estavam. E isso bastou.
Desidério havia estudado apenas até a segunda série primária. Efigênia não teve acesso à escola. Ele trabalhava como diarista nas lavouras. Ela lavava roupas para fora. Dez meses após o casamento, o primeiro filho nasceu. Com ele, vieram os dias em que o amor precisou ser mais forte do que a fome.
“Tinha período que tudo o que tínhamos era chá com mandioca no café da manhã”, lembra Desidério. “No almoço, mandioca com ovo. À noite, sopa de mandioca. Às vezes, abóbora madura com um pouquinho de açúcar.”
Era pouco. Mas era junto.
Mesmo assim, nunca pensaram em desistir.
“Nunca”, afirma ele.
“Jamais”, completa ela.
Quando perguntados sobre o que os fez continuar, Efigênia responde sem rodeios: “A fé em Deus. Isso nos fez continuar.”
Deus nunca foi um plano emergencial naquele lar. “A fé é tudo. Sem Deus não somos nada”, diz Desidério. “Não só nos momentos de crise, mas todos os dias”, acrescenta Efigênia.
Ela fala a partir de uma história marcada pela ausência. Não conheceu os pais. Foi criada na casa dos outros. Trabalhou como doméstica desde os 14 anos, muitas vezes explorada. Quando conheceu Desidério, tomou uma decisão que carregaria para a vida inteira.
“Assim que conheci meu esposo, eu quis ter minha família”, conta. “Estava disposta a honrar e respeitar meu esposo até quando Deus nos desse vida.”
Esse compromisso moldou o amor. “O amor só aumentou ao longo dos anos”, resume Desidério.
“O amor”, repete Efigênia.
E esse amor nunca precisou de gritos. “Nós nunca brigamos”, ela afirma com naturalidade. “Ele nunca falou alto comigo.”
Os filhos cresceram observando esse exemplo.
Lourdes, a filha mais velha, lembra de um lar simples, mas seguro. “A gente via que era possível, desde que houvesse respeito. Mesmo quando faltava comida ou agasalho, nunca vimos eles discutindo.”
Antônia guarda uma cena que atravessou o tempo. “Nos dias frios, meus pais se aqueciam ao redor do fogo no chão para deixar os únicos cobertores para nós, os filhos.”
Ramona viveu de perto a escassez. Limpava arroz no pilão, trabalhou ainda criança para ajudar em casa, viu irmãos assumirem responsabilidades cedo demais. Mas também testemunhou algo maior. “Vi o tempo todo as mãos de Deus cuidando, conduzindo e guiando essa família.”
Hoje, o que parecia improvável virou legado. Os filhos cresceram. Os netos chegaram. E a história se multiplicou.
“Eles nos ensinam que vale a pena permanecer”, diz Deisy, neta de 27 anos. “Crescer juntos, envelhecer juntos e permanecer juntos até a volta de Cristo.”
Kelly resume com precisão: “Quando o amor humano falhou, eles se apoiaram em Deus.”
Ana Júlia, de 17 anos, observa os detalhes. O avô atento. A avó cuidadosa. As orações feitas um pelo outro. “Eles mostram que amor também é zelo. É presença.”
Beatriz, a mais nova, aprende cedo: “Casamento não é brincadeira. É para a vida toda.”
Ao falar sobre o significado de celebrar 60 anos de casamento em um tempo em que tantos relacionamentos não chegam a uma década, Desidério se emociona. As palavras faltam. A gratidão não. “Só tenho que agradecer a Deus pela família que temos hoje.”

Hoje, o que parecia improvável virou legado. Os filhos cresceram. Os netos chegaram. E a história se multiplicou.
“Eles nos ensinam que vale a pena permanecer”, diz Deisy, neta de 27 anos. “Crescer juntos, envelhecer juntos e permanecer juntos até a volta de Cristo.”
Kelly resume com precisão: “Quando o amor humano falhou, eles se apoiaram em Deus.”
Ana Júlia, de 17 anos, observa os detalhes. O avô atento. A avó cuidadosa. As orações feitas um pelo outro. “Eles mostram que amor também é zelo. É presença.”
Beatriz, a mais nova, aprende cedo: “Casamento não é brincadeira. É para a vida toda.”
Ao falar sobre o significado de celebrar 60 anos de casamento em um tempo em que tantos relacionamentos não chegam a uma década, Desidério se emociona. As palavras faltam. A gratidão não. “Só tenho que agradecer a Deus pela família que temos hoje.”
Efigênia conclui com a simplicidade de quem entende o essencial: “Só o fato de acordar todos os dias já é motivo para agradecer.”
Se esses 60 anos precisassem ser resumidos em uma palavra, Desidério não hesita: “amor.”
Efigênia prefere uma atitude: silêncio, respeito e cuidado. “Nós nunca brigamos.”
Talvez seja isso que essa história ensine, sem levantar a voz.
Amar não é prometer que será fácil.
É decidir que será junto.
Todos os dias.