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ENTREVISTA - JANEIRO BRANCO

Grupo aposta em escuta para fortalecer redes de apoio em Campo Grande

Iniciativa criada por psicóloga reúne familiares e cuidadores e defende informação como ferramenta de cuidado

Ariane Osshiro, no estúdio da Rádio Massa Campo Grande Foto: Fernando de Carvalho/ Massa CG
Ariane Osshiro, no estúdio da Rádio Massa Campo Grande Foto: Fernando de Carvalho/ Massa CG

Falar sobre saúde mental deixou de ser um tabu restrito aos consultórios e passou a ocupar espaço nas conversas cotidianas, especialmente entre famílias que convivem com o sofrimento psíquico. Em Campo Grande, o grupo Vozes que Acolhem aposta na escuta e na troca de informações como caminho para fortalecer redes de apoio e reduzir o isolamento de quem cuida — e de quem precisa de cuidado.

Idealizado pela psicóloga Ariane Osshiro, o grupo surgiu a partir da experiência pessoal da profissional com a falta de informação e de acolhimento diante da desregulação emocional vivida por pessoas próximas. A proposta é transformar conhecimento em ação prática, oferecendo orientação e um espaço seguro para diálogo entre familiares e cuidadores.

A Importância da Informação e do Acolhimento

Para Ariane, a informação é um ponto central no cuidado em saúde mental. Segundo ela, muitos ambientes ainda tendem a minimizar a dor emocional, tratando o sofrimento psíquico como algo menor ou passageiro. “As pessoas não pedem para ter a dor diminuída, elas precisam ser ouvidas”, afirma. A psicóloga compara o tratamento dado à saúde mental com o das doenças físicas, destacando que, quando a dor não é visível, costuma ser invalidada.

O grupo defende que a escuta atenta pode ser um gesto simples, mas decisivo. A proposta não é substituir tratamento profissional, mas criar uma rede que ajude a identificar sinais de sofrimento, acolher sem julgamento e orientar sobre caminhos possíveis de cuidado.

Vozes que Acolhem e o Janeiro Branco

Durante o Janeiro Branco, mês dedicado à conscientização sobre saúde mental, o Vozes que Acolhem intensifica suas atividades e promove encontros abertos ao público. Um deles discute justamente a formação de redes de apoio, com participação de profissionais da psicologia e da psiquiatria, além do acolhimento de familiares e pessoas que buscam orientação.

A iniciativa reforça a ideia de que cuidar da saúde mental não é uma responsabilidade individual, mas coletiva. Em um cenário de aumento da sobrecarga emocional, o grupo aposta na empatia e na informação como ferramentas para tornar o cuidado mais acessível e humano.

Acompanhe a entrevista completa: