
A queda do dólar e o avanço das safras de verão e segunda safra têm pressionado os preços do milho e da soja no mercado brasileiro, segundo análise de mercado Gilberto Leal, que participou nesta quinta-feira (29) do programa Agro é Massa, direto de Sinop (MT).
No caso do milho, o cenário é de oferta confortável. De acordo com Leal, o país atravessa um período de estoques mais elevados em relação ao ano passado, o que reduz a pressão compradora. A demanda interna segue firme, puxada principalmente pela cadeia de rações e pela indústria de etanol de milho, especialmente em Mato Grosso, mas as compras dessas indústrias já estariam praticamente cobertas.
Além disso, a colheita da safra de verão avança no Sul do país, enquanto o plantio do milho segunda safra ocorre dentro de uma janela considerada ideal, sem grandes preocupações climáticas no momento. Esse conjunto de fatores reforça a percepção de oferta abundante no curto e médio prazo.
Outro elemento que pesa sobre os preços é o câmbio. A valorização do real frente ao dólar reduz a competitividade do milho brasileiro no mercado externo, o que limita as exportações e aumenta a dependência do consumo doméstico.
Impacto do Dólar e Custos Logísticos na Soja
Na soja, o movimento é semelhante. Apesar de uma leve recuperação das cotações em Chicago, impulsionada por fluxo financeiro e pela busca de investidores por commodities, os preços no Brasil seguem pressionados pelo dólar em patamares mais baixos, próximo de R$ 5,20.
Segundo Leal, essa combinação entre dólar depreciado, custos logísticos elevados e concentração da colheita, especialmente em Mato Grosso, tem encarecido o frete e dificultado o escoamento. O descompasso entre o volume nomeado para exportação e o grão efetivamente disponível gera pressão adicional sobre os preços pagos ao produtor.
O analista avalia que, diante desse cenário, produtores com necessidade de caixa no curto prazo tendem a optar pela venda do produto físico, utilizando instrumentos financeiros, como derivativos, para se posicionar no mercado e tentar capturar eventuais altas futuras, seja no dólar ou nas cotações internacionais.
A expectativa em torno de novos movimentos da China no mercado internacional, incluindo possíveis compras de soja dos Estados Unidos, pode trazer sustentação a Chicago, mas, no Brasil, a pressão sobre prêmios e preços deve continuar enquanto o câmbio permanecer desfavorável às exportações.