
O mercado da soja atravessa um momento de forte sensibilidade entre custos de produção e preços de venda, exigindo atenção redobrada dos produtores rurais. A avaliação é de Jeferson Souza, analista da Agrinvest. Ele participou do Show da Soja, em Itaporã, evento voltado ao agronegócio no Sul do Estado.
Segundo ele, pequenas variações no valor da saca podem determinar prejuízo ou lucro.
“Dois ou três reais para baixo já são suficientes para transformar uma conta positiva em negativa”, afirmou. Para o analista, o principal desafio do produtor é saber exatamente quanto custa produzir antes de definir o preço de venda.
A perspectiva de uma colheita maior em Mato Grosso do Sul, embora positiva do ponto de vista produtivo, tende a aumentar a oferta e pressionar as cotações. “Quanto maior a expectativa de colheita, maior deve ser a tensão com os preços. É uma matemática simples”, disse.
Custos de Produção e Margens de Lucro
Entre os fatores que mais pressionam as margens estão o arrendamento de terras, o custo dos fertilizantes e as despesas com manutenção de máquinas. O arrendamento, segundo Souza, saltou de patamares próximos a nove sacas por hectare antes da pandemia para cerca de 15 sacas atualmente, sem recuo significativo nos últimos anos.
Os fertilizantes representam cerca de 25% do custo de produção e iniciaram o ano em alta, enquanto a manutenção de máquinas, antes considerada secundária, passou a pesar mais no orçamento devido à alta do dólar e à valorização dos equipamentos agrícolas.
O analista também chamou atenção para o custo financeiro, tanto na compra quanto na venda. Com juros elevados, armazenar soja passou a exigir uma valorização superior ao rendimento de aplicações financeiras. “O produtor precisa considerar o custo de oportunidade. Carregar estoque hoje é caro”, afirmou.
Cenário de Crédito e Perspectivas para o Futuro
Para Jeferson Souza, o cenário de crédito segue restrito e caro, reflexo do aumento da inadimplência e do número de recuperações judiciais no setor. A expectativa para 2026, segundo ele, é de um ambiente ainda desafiador, sem perspectiva de queda rápida nos juros. “O dinheiro vai continuar caro. Mudou a cara do jogo”, concluiu.