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Campo Grande, 14 de julho

Crescimento da Capital gera debate sobre um novo anel rodoviário

Trecho é um dos pontos críticos das rodovias federais no estado, de acordo com a Polícia Rodoviária Federal

Por Fernando de Carvalho
09/07/2024 • 09h00
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Dois acidentes fatais no último fim de semana, um na BR-163 entre Rio Brilhante e Douradina e outro no anel rodoviário de Campo Grande, reacenderam a discussão sobre rodovias próximas às cidades sul-mato-grossenses.

Dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) indicam que o anel rodoviário de Campo Grande é um dos pontos críticos de acidentes em Mato Grosso do Sul.  A situação foi destacada pela responsável pelo setor de comunicações da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no estado, Stéfanie Amaral. Segundo ela, esse trecho é um dos pontos críticos das rodovias federais no estado.

“O levantamento foi realizado com o objetivo de identificar locais com maior ocorrência de sinistros e mortes, visando direcionar ações de fiscalização para reduzir esses números”, explica Stéfanie. Além do anel rodoviário de Campo Grande, a região de Dourados também foi mapeada como um ponto crítico.

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O anel rodoviário, onde o trânsito urbano se confunde com o das rodovias, apresenta um risco elevado devido à mistura de veículos de passeio, motocicletas e veículos de carga. "Essa combinação exige atenção redobrada dos motoristas", alerta Stéfanie.

Para os moradores e trabalhadores da região, o perigo é evidente. Gustavo Henrique, vendedor em uma empresa próxima à BR-163, descreve o trânsito no trecho como caótico. “É uma área muito perigosa, com fluxo intenso de veículos e pedestres. Toda hora tem acidente”, relata. Segundo ele, a falta de infraestrutura adequada, como semáforos em cruzamentos críticos, agrava a situação.

Entorno onde será construído o viaduto no km 485 da BR-163 já está em obras

O km 485 do anel rodoviário é um dos pontos de maior fluxo, onde os acidentes aumentaram em mais de 300% na última década, de acordo com dados da PRF. Um viaduto está em construção no local para tentar diminuir os acidentes, mas moradores como Ari de Oliveira acreditam que a solução ideal seria a relocação do anel rodoviário.“A cidade já cresceu em volta do anel rodoviário. Seria melhor deslocá-lo para uma área mais afastada, para melhorar o trânsito e diminuir os acidentes”, opina Ari.

Em 2021, uma revisão do Plano Diretor de Transporte e Mobilidade Urbana de Campo Grande previu a construção de um novo anel rodoviário. No entanto, para o arquiteto e urbanista Fayez José Risk, apenas construir um novo anel não resolve o problema. Ele alertou que Campo Grande já teve outros anéis rodoviários, todos ocupados de forma desordenada. “É necessário um planejamento urbano adequado. Sem isso, o novo anel rodoviário corre o risco de repetir os erros do passado”, explicou Rizk.

O arquiteto sugeriu que é fundamental estabelecer uma legislação rigorosa de uso e ocupação do solo e criar áreas de proteção permanente ao longo do novo anel rodoviário. “Não se trata apenas de construir uma via; é preciso pensar no entorno, nas infraestruturas e nos impactos a longo prazo para garantir a segurança e a eficiência do trânsito”, concluiu.

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