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Campo Grande, 19 de maio

Zeca recua de disputa pelo governo e expõe "vácuo político" dentro do PT

Em nota, partido revela que vai buscar novo nome para apresentar como "cabeça" do palanque de Lula em MS

Por Nyelder Rodrigues
06/04/2022 • 08h34
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Zeca do PT não é mais o nome do Partido dos Trabalhadores para a disputa pelo governo sul-mato-grossense. A retirada de sua pré-candidatura foi oficializada à sigla na noite de terça-feira (5), durante reunião dos membros da executiva estadual para definir os principais rumos que o partido deve tomar até outubro, quando acontecem as eleições.

O recuo do ex-governador José Orcírio Miranda dos Santos acontece por causa de problemas que ele ainda enfrenta com a Justiça, causando então sua inelegibilidade. Ele já se encontrava nessa situação em 2018, quando concorreu ao Senado, mas conseguiu uma liminar.

Essa liminar segue sendo uma possibilidade ainda para 2022, porém, Zeca agora tem que correr contra o tempo e não há previsão de quando a situação jurídica seja revertida, atrapalhando os planos do partido em lançar uma candidatura forte ao governo.

Sem Zeca no páreo, fica claro que o PT de Mato Grosso do Sul hoje apresenta um vácuo de nomes com musculatura suficiente para agregar alianças em torno de si e também formar um palanque forte para a candidatura presidencial de Lula no Estado.

"Agora vamos sentar e avaliar quais nomes podem substituir Zeca, que naturalmente é o nosso principal nome, mas dessa vez está inviável sua candidatura", explica Wladimir Ferreira, que é de Coxim e preside a sigla em solo sul-mato-grossense.

Ele frisa que nomes oficialmente serão ventilados só mais adiante, mas entre as possibilidades existentes constam o do professor universitário douradense Thiago Botelho - conforme já adiantou a CBN Campo Grande na semana passada - e do ex-prefeito de Mundo Novo, Humberto Amaducci, além da advogada Giselle Marques, da Capital.

QUEM SÃO?

Giselle e Botelho são nomes ainda frágeis. No caso da advogada, ela disputou recentemente as eleições para o comando da OAB regional, ficando em terceiro. Já o professor universitário vai pela primeira vez às urnas, tendo que fazer um "tour" pelo Estado para se apresentar para os próprios colegas de partido e apresentar o seu projeto. 

Ambos já tinham se lançado como pré-candidatos ao Senado, se apresentando assim ao público e internamente. Na semana passada, o deputado estadual Amarildo Cruz (PT) já tinha adiantado a CBN Campo Grande que Zeca possivelmente recuaria e o partido abraçaria Botelho. Contudo, foi apurado pela reportagem que Botelho quer ir ao Senado e rejeita a disputa pelo governo.

Já Amaducci acumula em seu currículo, além de mandato no Executivo de Mundo Novo, também uma eleição para governador em 2018, o que Wladimir chama como "pior momento do partido", que passava por uma crise de credibilidade. "Estavamos em um deserto", comenta o dirigente. Porém, a atuação pública de Amaducci se resume a apenas isso, com expressividade reduzida.

FUTURO DE ZECA

Como ainda briga para reverter a inelegibilidade, Zeca pode voltar à cena eleitoral deste ano, mas para outra disputa: por vaga na Assembleia Legislativa. Até o ano passado o ex-governador rejeitava concorrer ao governo e queria, justamente, disputar uma das 24 vagas de deputado estadual que estarão em jogo no mês de outubro.

Entretanto, a necessidade petista de criar um palanque para Lula em cada Estado fez com que a Executiva nacional do partido o chamasse para se lançar ao governo. Ele aceitou, mas no decorrer dos meses ficou claro que a candidatura não decolaria.

Assim, o próprio Zeca preferiu não se desgastar mais uma vez em candidatura majoritária. Uma candidatura a deputado federal chegou a ser cogitada, mas nesse caso ele concorreria com seu sobrinho, Vander Loubet, que tenta a reeleição. Por isso, acabou se decidindo que, se voltar ao jogo eleitoral deste ano, será para disputar votos para ir à Assembleia.

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