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Você sabia que o Brasil já teve um presidente nascido em Campo Grande?

Gestor federal renunciou com menos de um ano de mandato e escreveu um dicionário

Por Ingrid Rocha
04/08/2021 • 15h10
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De “Varre, varre, vassourinha” a busca por abrir o mercado com a União Soviética. Apesar de ter sido presidente do Brasil, Jânio Quadros merecia mais homenagens na cidade onde nasceu, segundo o ex-assessor dele, Victor Eugênio. “Eu estimo que 95% da população não sabe que ele nasceu aqui [Campo Grande]”, destacou Eugênio. A falta de reconhecimento é também destacada pelo presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. “Eu acho que a sua [Jânio Quadros] história deveria ser mais difundida nas escolas, na política”, explicou.

Jânio Quadros nasceu no dia 25 de janeiro de 1917, em Campo Grande, mas ainda criança foi com a família para o Paraná. Jovem, Jânio se mudou para São Paulo e lá construiu uma carreira política considerada meteórica pelos historiadores, pois em pouco mais de dez anos saiu de vereador para presidente da República.

Na campanha para presidente, Quadros tinha a música “Varre, varre, vassourinha” e propôs o combate a corrupção no Brasil. A história com Campo Grande volta neste momento, pois segundo matéria publicada no dia 7 de outubro de 1917, do Jornal do Comércio, Jânio ficou em uma fazenda da Cidade Morena durante a apuração dos votos.

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Eleito, o campo-grandense encontrou desafios, pois não tinha uma base política forte no Congresso, segundo a historiadora Lenir Gomes “Quando ele chega ao poder e começa a tomar algumas atitudes contraditórias. Em algumas muito pequenas no cotidiano com esse tom moralista [proibição do bíquini] e externamente tentando ser mais independente. Mas ele não tinha um alinhamento com uma base forte de sustentação política, não tinha apoio no Congresso”, detalhou a professora.

Coincidentemente, Jânio Quadros renunciou ao mandato – após quase sete meses de governo – um dia antes do aniversário de Campo Grande. A ação pode ter sido uma manobra política, ainda de acordo com a historiadora. “Hoje os historiadores entendem que a manobra dele foi: tentar renunciar na esperança de que as pessoas clamassem pra que ele continuasse no poder e aí ele assumiria com mais poderes políticos, com uma maior base de sustentação política”, explicou a professora.

Jânio Quadros ficou conhecido por adotar medidas como a proibição do biquíni e tentar relações econômicas com a União Soviética em um momento que o mundo vivia a Guerra Fria. Apesar das polêmicas, Jânio também tinha grande conhecimento da Língua Portuguesa e inclusive escreveu um dicionário e livros sobre a história do Brasil.

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