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Três Lagoas, 28 de fevereiro

COBRE: Valor x Impunidade

Leia editorial do Jornal do Povo deste sábado (10)

Por Da redação
10/02/2024 • 06h31
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‘Se não há quem compre, não há oferta’. Este conceito básico de economia de mercado, onde a demanda e a oferta por um produto estão interligadas, cabe também ao mundo do crime. Se não houver interessados em adquirir um produto furtado ou roubado, os bandidos não terão interesse em determinados materiais. E, nos últimos tempos, é cada vez mais comum nas cidades o registro de furtos de fios de cobre de instalações elétricas, de telefonia ou de internet. O cobre é um metal valioso devido às suas propriedades condutoras e chega a ser vendido, como sucata, a 40 reais o quilo, o que torna esse material um alvo atraente para criminosos em busca de lucro fácil.

O furto de fios de cobre é um crime comum não apenas em Mato Grosso do Sul, mas em todo o país. Nas redes sociais, viralizam imagens de câmeras de segurança com o flagrante da ação criminosa, onde bandidos volta e meia imitam a arte circense, se equilibrando nos fios entre um poste e outro. Diariamente, ruas e até bairros inteiros amanhecem sem os serviços de energia ou internet por causa desse tipo de crime. Em torno de seis mil quilômetros de fiação estão sendo furtados anualmente no Brasil, de acordo com dados divulgados pela Conexis Brasil Digital, grupo que representa as principais operadoras de telefonia e internet do país. São 16 quilômetros de fios de cobre furtados todos os dias.

Recentemente, na nossa capital sul-mato-grossense, um desses vândalos pagou com a própria vida a tentativa de furtar os fios de cobre também em uma subestação de energia elétrica. O homem de 35 anos morreu eletrocutado com uma descarga superior a 13 mil volts, o que provocou uma explosão durante a madrugada e deixou vários bairros de Campo Grande sem luz, prejudicando diretamente mais de 30 mil pessoas.

Enquanto não há medidas de segurança e fiscalização mais rigorosas para combater esse tipo de crime, a população vai continuar enfrentando a insegurança e as constantes interrupções nos serviços públicos. Em Três Lagoas, de escola a posto de saúde já foram alvos desse vandalismo. O prejuízo financeiro para empresas e governos já atingiu a casa dos bilhões de reais.

Nesta semana, em resposta à morte na subestação da capital, a Polícia Civil prendeu donos de ferros-velhos que comercializavam fios de cobre furtados. A operação policial, em parceria com a Guarda Civil Metropolitana, Polícia Militar e fiscais da prefeitura, apreendeu, em apenas dois estabelecimentos comerciais, quase meia tonelada de fios retirados das redes de energia e de telefonia. Ações como essa deveriam ser frequentes e ocorrer em todas as cidades, mas não é o que se vê em municípios do interior. Além de investir contra os compradores de cobre ilegal é necessária uma legislação penal mais severa para esse tipo de crime.

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