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AGROPECUÁRIA

Ciclo pecuário influencia decisões de produtores e preços da arroba em MS

Entender as fases do ciclo pecuário é essencial para planejar produção, investimentos e oferta de carne no estado.

Rebanhos em Mato Grosso do Sul refletem os efeitos do ciclo pecuário sobre produção e preço da arroba do boi. - Foto: Divulgação.
Rebanhos em Mato Grosso do Sul refletem os efeitos do ciclo pecuário sobre produção e preço da arroba do boi. - Foto: Divulgação.

Oscilações no preço da arroba do boi fazem parte da rotina da pecuária brasileira e se refletem diretamente em Mato Grosso do Sul, estado que responde por uma parcela significativa da produção nacional. A explicação para esses movimentos está no ciclo pecuário, fenômeno que combina fatores biológicos, econômicos e estratégicos, alternando fases de valorização e de queda.

Enquanto a demanda por carne se mantém relativamente constante, a oferta de bovinos para abate varia conforme decisões dos pecuaristas, condições de pastagem, custos de produção e estímulos econômicos. Compreender o ciclo pecuário é fundamental não apenas para produtores, mas para frigoríficos, distribuidores e até para quem acompanha o mercado de carne de fora do setor.

Segundo Diego Guidolin, consultor em pecuária da Famasul,

“o ciclo pecuário existe porque a produção não responde de forma imediata às variações de mercado. Diferentemente de outros setores, as decisões tomadas hoje só refletem no preço da arroba anos depois.”

Fases do ciclo pecuário e impacto nas decisões de campo

O ciclo pecuário pode ser dividido em fase de baixa e fase de alta, cada uma com impactos distintos sobre oferta, preço e planejamento produtivo.

  • Fase de baixa: Quando a arroba se desvaloriza, aumenta o abate de fêmeas, elevando a oferta de carne no curto prazo, mas diminuindo a produção futura de bezerros. Este efeito só se torna visível no mercado cerca de 18 a 20 meses depois, considerando gestação e desmame.
  • Fase de alta: A escassez de bezerros eleva o preço dos animais de reposição, pressionando custos de recriadores e terminadores. Quando esses animais chegam à idade de abate, o mercado percebe a menor disponibilidade, impulsionando a valorização da arroba.

“A decisão de abater ou reter fêmeas é o principal motor do ciclo pecuário. Diferentemente do abate de machos, que afeta apenas a oferta imediata de carne, o descarte ou retenção de matrizes determina a capacidade futura de produção do sistema”, explica Guidolin.

Além disso, variáveis climáticas e sazonais influenciam o mercado local, mas não alteram o ciclo biológico de produção. Em Mato Grosso do Sul, onde o clima é favorável à pecuária extensiva, esses fatores podem acelerar ou desacelerar a oferta de bovinos para abate, dependendo do manejo e da disponibilidade de pastagem.

Mato Grosso do Sul: um olhar regional

No estado, os efeitos do ciclo pecuário são observados de perto por produtores, cooperativas e frigoríficos. Durante períodos de baixa, o abate de fêmeas aumenta, elevando a oferta imediata de carne, mas reduzindo a capacidade futura de produção. Já na fase de alta, a valorização de bezerros e a pressão sobre o preço da arroba impactam diretamente a margem de lucro de recriadores e terminadores.

Dados do Departamento Técnico da Famasul indicam que, em 2025, a variação do preço da arroba do boi e do bezerro em Mato Grosso do Sul seguiu de perto o ciclo nacional, com flutuações que afetaram o planejamento da produção e a estratégia de retenção de matrizes pelos produtores.

Além disso, a logística do transporte, a disponibilidade de crédito rural e os custos de insumos agrícolas reforçam a necessidade de planejamento estratégico, tornando o entendimento do ciclo pecuário uma ferramenta essencial para a competitividade no estado.

Duração do ciclo e planejamento de longo prazo

O ciclo pecuário brasileiro costuma durar entre 6 e 10 anos, com cada fase individualmente se estendendo por 3 a 5 anos. Mesmo com sistemas produtivos intensificados, fatores como crédito, custo de insumos e mudanças climáticas influenciam a duração média do ciclo.

Para Mato Grosso do Sul, acompanhar de perto o ciclo pecuário brasileiro é uma questão de gestão eficiente. Produtores que entendem o momento do mercado podem planejar melhor a retenção de fêmeas, o abate de animais e investimentos em pastagens, garantindo competitividade e estabilidade de preços.

No final, compreender o ciclo pecuário é essencial para garantir que decisões tomadas hoje não comprometam a produção futura, impactando toda a cadeia, desde o campo até o consumidor.

*Com informações da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul – Famasul