
A intensificação de obras e grandes investimentos industriais consolidou a construção civil como o principal vetor da geração de empregos formais em Mato Grosso do Sul em 2025. De acordo com dados do Novo Caged, o estado encerrou o ano com saldo positivo de 19.756 vagas com carteira assinada, crescimento de 61% em relação a 2024.
O resultado indica um ciclo de atividade econômica mais forte, após dois anos de desaceleração, ainda que permaneça abaixo dos níveis recordes observados no início da década.
Construção lidera ranking setorial
Responsável por 5.873 novos postos de trabalho, a construção civil ficou à frente de todos os demais setores da economia estadual. O desempenho foi impulsionado principalmente pela fase de implantação de grandes empreendimentos industriais, em especial no segmento de papel e celulose.
Na sequência aparecem os setores de serviços, com saldo de 4.835 vagas, indústria, com 4.536, comércio, com 3.258, e agropecuária, com 1.256 empregos formais criados ao longo do ano.
Efeito dos grandes empreendimentos
A execução de megaprojetos industriais demanda uma estrutura complexa, que vai além da obra principal. Estradas, redes de energia, alojamentos, logística e adequações urbanas fazem parte do pacote de investimentos, ampliando significativamente a demanda por mão de obra.
Esse conjunto de obras explica por que a construção civil costuma liderar a geração de empregos em momentos de expansão econômica, reagindo de forma mais rápida do que outros segmentos.
Economia diversificada sustenta crescimento
Embora os grandes projetos tenham papel central, especialistas destacam que o desempenho do mercado de trabalho não pode ser atribuído exclusivamente às megafábricas. Obras públicas, mercado imobiliário urbano e ampliações industriais também contribuem para o saldo positivo.
O Estado se destaca pelo alto nível de reinvestimento dos recursos arrecadados, o que fortalece a execução de obras estruturantes e amplia a circulação de renda na economia local.
Vagas abertas e desafio da qualificação
Apesar do crescimento do emprego formal, Mato Grosso do Sul enfrenta um gargalo importante: a dificuldade de preencher vagas disponíveis. Milhares de oportunidades permanecem abertas por falta de profissionais qualificados ou de trabalhadores dispostos a se deslocar para determinadas regiões.
A qualificação da mão de obra e a atração de trabalhadores de outros estados são apontadas como medidas essenciais para sustentar o ritmo de crescimento nos próximos anos.
Vagas temporárias exigem atenção
Outro ponto de alerta diz respeito à natureza das vagas criadas. Parte significativa dos postos na construção civil é temporária, concentrada na fase de implantação dos projetos. A sustentabilidade do emprego no longo prazo dependerá do fortalecimento de setores permanentes, como indústria e serviços.
Atividades contínuas ligadas à logística, silvicultura e operação industrial tendem a manter parte desse emprego após a conclusão das obras.
Histórico mostra recuperação gradual
Após atingir picos superiores a 40 mil vagas em 2021 e 2022, o saldo de empregos em Mato Grosso do Sul caiu nos anos seguintes. O resultado de 2025 representa uma recuperação relevante frente a 2024, mas ainda distante do melhor momento do ciclo recente.