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Investigação

Deputados tramam como fraudar folha de ponto de servidores da Assembleia Legislativa

Gravação telefônica que circula por redes sociais comprometem os deputados Felipe Orro (PSDB) e Paulo Corrêa (PR)

 - Fernando da Mata
- Fernando da Mata

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul pode abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar denúncias contra os deputados Felipe Orro (PSDB) e Paulo Corrêa (PR). Em gravação telefônica que circula por redes sociais,  os parlamentares combinam como fraudar a folha de ponto  de servidores da Casa.

Nesta semana, um grupo de advogados pediu à Assembleia investigação do caso, que surgiu com a divulgação de áudio gravado em julho de 2015.  No telefonema, Corrêa pede que Orro se certifique de estar sozinho e o orienta a criar uma folha de ponto fictícia para encobrir “funcionários fantasmas”.

Os dois falam de reportagem do programa “Fantástico”, da TV Globo, que abordou caso semelhante na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. “A Rede Globo está entrando nas Assembleias Legislativas do Brasil inteiro. Onde que ela pega você? Você e eu temos bastante, certo! Você sabe o que nós temos mais do que os outros, não sabe? Põe um controle de ponto, mesmo que seja fictício, do começo do ano até agora. Pega o seu chefe de gabinete e manda agir, deixa lá até do dia anterior. Todo dia aquelas pessoas têm que assinar o ponto até que passa esse rolo aí tá bom. Como eu e você temos o mesmo problema, só falei para você, não fale para ninguém”, disse Côrrea a Orro, que apenas responde, “pode deixar”.

Nesta quinta-feira (3), o corregedor da Assembleia, Maurício Picarelli (PSDB), confirmou que um processo de apuração foi aberto .
Picarelli disse que a investigação seguirá o Código de Ética e Decoro Parlamentar e que, se houver “indícios cabíveis” poderá ser aberto um processo pelo Conselho de Ética. “A

Corregedoria Legislativa está trabalhando, vamos ouvir todos os lados, inclusive o autor das gravações telefônicas, disse Picarelli.

Por redes sociais, Orro negou as acusações. “Nunca nomeei nenhum parente, procedimento que minha família sempre repudiou, e também nunca orientei ninguém a burlar quaisquer regras”, afirma o deputado em um texto com cinco tópicos. Em entrevista, Paulo Correia afirma que usou indevidamente o termo “fictício” para se referir à folha de pagamento. O correto, disse ele, seria “manuscrito”. (Ana Cristina Santos)