
Pouco mais de oito mil famílias foram excluídas do programa Vale Renda após auditoria promovida pelo governo do Estado em todos os municípios de Mato Grosso do Sul. A ação, iniciada no segundo semestre do ano passado, apurou que essas famílias – 8.021 ao todo -, recebiam benefícios dos programas sociais Vale Renda e Bolsa Família de forma irregular. Com o corte, o governo do Estado espera economizar R$ 17,4 milhões no ano.
O levantamento foi coordenado pela Secretaria Estadual de Direitos Humanos, Assistência Social e Trabalho (Sedhast), chefiada pela vice-governadora em exercício Rose Modesto, e indica que pouco mais de 13% dos beneficiados, aproximadamente 60 mil em todo o Estado antes do corte, recebiam o benefício irregularmente. Caso esse percentual se mantenha em Três Lagoas, cerca de 150 famílias podem perder o benefício. No município, são 1,2 mil famílias atendidas pelo programa.
O número, no entanto, não foi confirmado pela secretaria. De acordo com Ângela Nunes de Lima Ferreira, superintendente de Benefícios Sociais em Mato Grosso do Sul, essa auditoria ainda está em andamento e deverá ser concluída em março deste ano.
“Ainda estamos finalizando essa auditoria e, por enquanto, não podemos divulgar dados regionais. O que posso dizer é que tivemos casos em Três Lagoas de famílias que foram excluídas do cadastro. Em quase todos os municípios, tivemos casos”, destacou.
A superintendente informou que grande parte das irregularidades estava relacionada à renda superior ao limite para participar do programa e também casos de famílias já beneficiadas por outros programas sociais, como o Bolsa Família, do governo federal.
“O programa Vale Renda é destinado para famílias que estejam realmente vulneráveis, como em caso de desnutrição infantil, desemprego, entre outros. Mas, encontramos casos de famílias já beneficiadas por outros programas ou com a renda per capita à cima do preconizado. O objetivo dessa auditoria é garantir que o benefício chegue àqueles em vulnerabilidade social e não somente em crise econômica”, explicou Ângela.
O primeiro passo da auditoria foi o cruzamento de dados cadastrais das famílias beneficiadas. Já em agosto, técnicos da secretaria chegaram a fazer visitas in loco para averiguar a situação das famílias.
PROGRAMA
Para receber o Vale Renda, a família precisa ter renda per capita abaixo de meio salário mínimo. Além disso, a família não pode estar cadastrada em outro programa social. O benefício é de R$ 170 mensais. O programa pode atender a até 60 mil famílias em todo Mato Grosso do Sul.
A superintende antecipou que essas auditorias deverão ser realizadas anualmente em todos os municípios do Estado.