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Custo Brasil

Presos pela PF são transferidos para a carceragem da capital paulista

Entre os suspeitos por esquema que desviou R$ 100 milhões está um ex-ministro de Dilma

O ex-ministro Paulo Bernardo é transferido de Brasília para São Paulo - José Cruz/Agência Brasil
O ex-ministro Paulo Bernardo é transferido de Brasília para São Paulo - José Cruz/Agência Brasil

A Polícia Federal (PF) cumpriu hoje (23) oito mandados de prisão preventiva como parte da Operação Custo Brasil. A 6ª Vara Criminal Federal em São Paulo havia ordenado a prisão de 11 acusados de envolvimento em um esquema de fraudes no contrato para gestão de empréstimos consignados no Ministério do Planejamento, mas um deles, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, já estava preso em Curitiba, e dois, que não tiveram os nomes divulgados, não foram encontrados.

Os presos foram encaminhados para a Superintendência da PF na capital paulista. Entre eles, está o ex-ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão do governo Lula e ex-ministrro das Comunicações do governo de Dilma Roussefs, Paulo Bernardo. Entre os presos também está o secretário municipal de Gestão da Prefeitura de São Paulo, Valter Correia da Silva.

Também foram cumpridas hoje 11 ordens de condução judicial, das 14 que foram concedidas. Em três casos, as pessoas citadas não foram encontradas.

O Ministério Público Federal e a PF avaliam que foram desviados mais de R$ 100 milhões do sistema de gestão de crédito consignado do Ministério do Planejamento no período de 2010 a 2015.

De acordo com as investigações, agentes públicos e políticos recebiam pagamentos ilegais a partir do contrato feito com a empresa Consist Software para gerir o crédito consignado – empréstimos com desconto em folha – para servidores públicos federais. Os serviços da empresa eram custeados por uma cobrança de cerca de R$ 1 de cada um dos funcionários públicos que aderiam a essa modalidade de crédito. O inquérito indica que. desse montante, 70% eram desviados para empresas de fachada.

A Operação Custo Brasil foi desencadeada após depoimentos de delação premiada do ex-vereador de Americana, em São Paulo, Alexandre Romano.

REAÇÕES

A Advocacia-Geral do Senado estuda acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) para questionar a legalidade do cumprimento de mandados de busca e apreensão em apartamentos funcionais de senadores que não tenham sido emitidos pela própria Suprema Corte. A provocação será motivada pela prisão de Paulo Bernardo, marido da senadora Gleisi Hoffmann, e cumpriu um desses mandados no apartamento do casal em Brasília.

Por meio de nota à imprensa, o Partido dos Trabalhadores condenou as buscas da Polícia Federal realizadas na sede nacional do partido em São Paulo, no âmbito da Operação Custo Brasil. A operação foi “desnecessária e midiática", disse o partido.

“Em meio à sucessão de fatos e denúncias envolvendo políticos e empresários acusados de corrupção, monta-se uma operação diversionista na tentativa renovada de criminalizar o PT”, diz a nota do partido. A nota diz ainda que o PT não tem nada a esconder e "sempre esteve e está à disposição das autoridades para quaisquer esclarecimentos”. (Com informações da Agência Brasil)

São Paulo - A Polícia Federal cumpre mandado de busca e apreensão como parte da Operação Custo Brasil na sede do Partido dos Trabalhadores, na capital paulista (Rovena Rosa/Agência Brasil)