
A sessão que decidirá o futuro da presidente Dilma Rousseff foi retomada há pouco pelo presidente do Senado, Renan Calheiros.
Cada um dos 68 inscritos tem direito a 15 minutos para se manifestar antes da abertura do processo de votação eletrônica. Iniciada às 10h, com uma hora de atraso, a reunião foi interrompida pela primeira vez às 12h30 após a fala de cinco senadores.
Espírito público
A sessão histórica começou com Renan Calheiros pedindo serenidade e espírito público aos parlamentares. Ele também fez questão de lembrar que, desde 18 de abril, quando o pedido de impeachment veio da Câmara, nenhuma decisão tomada no âmbito do Senado foi judicializada, prova de que o rito foi equilibrado e justo.
Logo após, veio uma série de questionamentos de senadores da base aliada do governo. Foram cinco questões de ordem rejeitadas pelo presidente.
A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), por exemplo, pediu a suspensão dos trabalhos até que um mandado de segurança impetrado pela Advocacia-Geral da União (AGU) fosse julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). No meio da tarde, o ministro Teori Zavascki negou o pedido do governo para anular o impeachment.
Os governistas alegaram ainda a suspeição do relator do processo de impeachment, Antonio Anastasia (PSDB-MG); apontaram irregularidade formal no processo e pediram a suspensão do procedimento até análise das contas de Dilma de 2015.
A reação da oposição foi imediata. Para eles, foram tentativas de atrasar o processo, visto que questões de ordem idênticas já haviam sido apresentadas e rejeitadas na Comissão Especial do Impeachment.
Ataque
Na tribuna, os senadores se concentraram em questões técnicas ou políticas para justificar suas posições e encaminhar os votos.
Os cinco primeiros a se manifestar na fase discussão – Ana Amélia (PP-RS), José Medeiros (PSD-MT), Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), Marta Suplicy (PMDB-SP) e Ataídes Oliveira (PSDB-TO) – reiteraram posição favorável ao impedimento.
Eles afirmaram que há provas suficientes para a responsabilização de Dilma Rousseff, rejeitaram a tese de golpe e criticaram a atuação do governo, principalmente nos campos político e econômico.
Defesa
O primeiro parlamentar contrário ao impeachment só foi à tribuna por volta das 15h30. Telmário Mota (PDT-RR) disse que o momento, apesar de histórico, é vergonhoso, pois está havendo uma tomada ilegítima de poder apelidada de impeachment.
A senadora Ângela Portela (PT-RR), por sua vez, lamentou a situação pela qual passa a primeira mulher na Presidência da República, “uma pessoa honrada e de bem, que governa com seriedade e transparência”.
Outro que lamentou a situação foi o senador Jorge Viana (PT-AC). Ele lembrou que o país não vive uma normalidade, mas uma anarquia institucional.